O inverno costuma ser marcado por períodos mais longos de estiagem no Paraná, mas neste ano o volume de chuvas está ainda menor. Em julho e agosto, o índice pluviométrico na região de Londrina ficou bem abaixo da média histórica e mesmo com a previsão de chuva para quarta (20) e quinta-feira (21), esse cenário não deve mudar nos próximos dias.

A estação meteorológica do IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) registrou, em julho, 23 milímetros de chuva. Menos da metade da média histórica para o mês, que é de 66,7 milímetros.

Em agosto, a seca está ainda mais acentuada. Até esta terça-feira (19), o IDR-PR contabilizava apenas 1,2 milímetro de chuva. A média histórica é de 56,2 milímetros.

O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) prevê a ocorrência de precipitações para o Norte do Paraná nesta semana, mas em um volume muito pequeno, sem força suficiente para mudar o quadro de estiagem na região.

Segundo o Simepar, nesta quarta-feira há possibilidade de chuva em razão da aproximação de uma frente fria, sistema meteorológico que provoca chuva nesta época do ano. Mas serão pancadas isoladas e o volume previsto é de apenas 1,1 milímetro, no início da tarde.

Na quinta-feira, as áreas de instabilidade devem continuar sobre o Estado, favorecendo a ocorrência de chuvas. Mas também em pouca quantidade para a Região Norte. A previsão é de seis milímetros.

Na sexta-feira (22), o sol volta a brilhar com força na região de Londrina e os dias ensolarados devem prevalecer, pelo menos até a próxima segunda-feira (25).

“A chuva ficou abaixo da média por conta de um bloqueio atmosférico sobre o sul do continente, que impediu que as frentes frias chegassem até o Paraná. Isto agravou a condição de seca em algumas regiões do Estado”, explicou o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, em matéria publicada pela Agência Estadual de Notícias.

Agricultura

No campo, a seca, que quase sempre é motivo de preocupação, neste período torna-se benéfica para os agricultores que investiram no cultivo da segunda safra de milho. A estiagem favorece a colheita do grão.

O Boletim Conjuntural publicado na última quinta-feira (14) pelo Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, relatou que a colheita do milho safrinha atingiu 80% dos 2,77 milhões de hectares plantados nesta safra. Esse percentual de colheita é ligeiramente acima da média histórica alcançada nas últimas cinco safras. No entanto, lavouras afetadas por estiagem ou geadas apresentaram rendimento menor.

Além do plantio dentro do período preconizado pelo zoneamento agrícola, técnicos do Deral apontaram as condições de clima favoráveis para a colheita em julho e na primeira quinzena de agosto como o principal fator para o bom desempenho da cultura do cereal.

A colheita do milho entra agora na reta final e os resultados obtidos até o momento pelos agricultores indicam uma ótima safra. Mesmo com preços menores do que no início do ano, o milho ainda deve remunerar os produtores paranaenses de forma “satisfatória”, avaliou o Deral.

Trigo

Nas lavouras de trigo, longos períodos sem chuva podem prejudicar a fase de enchimento dos grãos, ameaçando a produtividade. No Paraná, áreas de plantio no Sul correm mais risco. Naquela região, há lavouras de trigo que ainda nem entraram no estágio de formação dos grãos. Na região de Londrina, a maior parte do trigo já está entre a frutificação e a maturação. "Aqui, tem trigos mais atrasados, que ainda precisam de água, mas é pouca coisa. Possivelmente, as chuvas de julho talvez já resolvam", disse o engenheiro agrônomo e analista de Conjuntura do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho.

Um aspecto positivo no inverno deste ano são as temperaturas mais baixas, que compensam a falta de água. "O inverno menos quente esse contribui para que o solo não seque tão rápido. A equação de dias quentes, dias sem chuva, tudo entra numa conta que pode preocupar mais rápido ou menos. Acende o sinal amarelo, mas tudo pode se equilibrar numa próxima frente fria que entre no Estado", ressaltou o analista do Geral.

Caso a estiagem se prolongue ainda mais, pode ocorrer atraso no cultivo da safra de verão do milho em algumas regiões. "A rotação que o produtor tinha planejado fica um pouco fora do que esperava, mas não significa que teremos perdas. Junho, julho e agosto são meses mais secos. Mas se a estiagem se estender até setembro, quando já é para ter chuvas recorrentes, aí pode ser problemático."

Além dos possíveis prejuízos às lavouras, a seca aumenta o risco de incêndio, especialmente nas áreas de pastagens, mais extensas e que não demandam cuidados diários. A vegetação seca facilita a combustão e o fogo tende a se alastrar mais facilmente.

O boletim Condições de Tempo e Cultivo, do Deral, apontou que essa condição aumentou bastante por causa do tempo seco e alta temperatura em toda a faixa norte do Paraná.

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