Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha vivem seca mais aguda dos últimos anos
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 27 (AE) - A seca no norte de Minas e na região do Vale do Jequitinhonha é mais aguda dos últimos anos. De acordo com o relatório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), choveu este ano 25% menos do que no ano passado. De janeiro a abril de 1999, o indíce de chuvas foi de 600 milímetros. No mesmo período de 1998
foi de 800. "A situação é crítica", diz o gerente regional da empresa em Montes Claros, Sérgio de Oliveira Azevedo.
Duzentos rios e córregos perenes da região este ano estão secos. Além destes, outros 364 intermitentes também estão secos. Em consequência da situação crítica, cerca de 180 municípios estão enfrentando o racionamento de água. Os poços artesianos não conseguem atender às necessidades básicas. Segundo informações da Defesa Civil Estadual, 140 deles decretam estado de calamidade pública.
De acordo com o gerente da Emater, 70% das lavouras foram perdidas. No caso do feijão, as perdas chegam a 80%. O balanço de junho da empresa aponta uma perda total de 73 mil toneladas da safra 98/99 de algodão, feijão, milho, mandioca e arroz. O prejuízo é de R$ 42 milhões. Nos pastos secos, o gado sobrevive com dificuldade. "É uma situação muito triste", lamenta Azevedo. Segundo ele, além da redução no volume hídrico, a causa do agravamento da seca este ano foi a má distribuição das chuvas. Choveu pouco e concentrado em janeiro. De fevereiro a abril, quando ainda é comum haver chuvas, houve seca na maior parte do norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha. A região deve começar a receber nas próximas semanas a ajuda emergencial de seca, com recursos extraordinários do governo federal. A distribuição de cestas básicas e a abertura de frentes de trabalho são esperadas com a ansiedade nos munícipios afetados no norte do Estado.
O déficit hídrico, de acordo com a Emater, ocorre também
embora com menos intensidade, na região do Cerrado e no sul de Minas. Produtores de café das duas regiões estão preocupados com a possibilidade de comprometimento da próxima safra.


