Norte-americanos pesquisam hantavírus
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 1998
Agência Estado 
A captura na semana passada de 60 ratos silvestres em áreas rurais de Tupi Paulista e Nova Guataporanga, região da Alta Paulista, perto do Rio Paraná, divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, pode levar os técnicos do Instituto Adolfo Lutz a identificar os agentes transmissores dos dois casos fatais de hantavírus, registrados entre março e abril, naqueles municípios.
Realizada graças à participação de técnicos norte-americanos que aplicaram nova tecnologia nas armadilhas, a captura afasta a hipótese inicialmente levantada de que a doença estaria sendo transmitida por roedores domésticos das espécies ratus ratus (rato de telhado) e musculus (camundongos), as únicas que haviam sido capturadas.
De acordo com o biólogo Luiz Helói Pereira, especialista do Adolfo Lutz, a participação do médico Ali Khan, do veterinário Joel Willyans, ambos do Centro de Controle de Doenças (CDC) e do biólogo Scott Burt, do Museu Biológico da Universidade do Novo México, que já atuaram em epidemias por hantavírus registradas em várias partes do mundo, ampliou o trabalho de pesquisa de campo.
Os trabalhos foram centralizados nos sítios pertencentes a familiares de Neusa Maria Passoni Molina, em Tupi Paulista, que morreu em 13 de março e de Luíz Moreira Correia, em Nova Guataporanga, morto em 20 de abril. Entre os 60 roedores silvestres capturados, foram identificados apenas animais dos gêneros calomys (rato da tarde) e oligoryvomys (rato do arroz), típicos do Estado de São Paulo.
Os técnicos norte-americanos coletaram amostras de sangue, vísceras e órgãos dos roedores para submetê-los em análises em laboratórios nos EUA. Os levantamentos de campo em Tupi Paulista e Nova Guataporanga serão encerrados hoje e, a partir de amanhã, a equipe estará atuando na região de Guariba, onde outros dois casos fatais foram registrados.


