Norte-americanos mortos estavam ligados à batalha por petróleo
Bogotá, 08 (AE-REUTERS) - Os três norte-americanos sequestrados na Colômbia e depois assassinados estavam no centro de uma longa disputa de interesses entre uma multinacional norte-americana, uma tribo indígena e rebeldes marxistas, incluindo bilhões de dólares em petróleo.
Terence Freitas, de 24 anos, de Oakland, Califórnia; Ingrid Washinawatok, de 41 anos, de Nova York; e Laheenae Gay, de 39 anos, do Havaí, foram sequestrados na província de Arauca em 25 de fevereiro. Seus cadáveres perfurados por balas foram encontrados na última quinta-feira às margens de um rio na vizinha Venezuela.
O trio ajudava os índios U´wa em sua campanha para impedir a Occidental Petroleum Corp. de perfurar em terras ancestrais, destinadas a abrigar um dos maiores achados colombianos de todos os tempos em termos de petróleo.
Autoridades venezuelanas inicialmente acreditavam que os rebeldes teriam sido assassinados na Colômbia e seus corpos levados além da fronteira. Mas disseram nesta segunda-feira (08) que evidências encontradas no local, incluindo projéteis e cápsulas, indicando que os três foram baleados na Venezuela.
Autoridades colombianas e norte-americanas culparam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - mais antigo e maior grupo rebelde do hemisfério - pelos sequestros seguidos de homicídios. As Farc negaram qualquer envolvimento e prometeram investigar os crimes.
Os três principais grupos rebeldes da Colômbia têm uma vasta trajetória de sequestro de civis, incluindo estrangeiros.
Mas alguns familiares e amigos das vítimas não estão convencidos de que a guerrilha é responsável pelos assassinatos.
Freitas foi perseguido por supostos pistoleiros paramiliares de extrema direita, interrogado por policiais e recebeu até mesmo ameaças de morte em viagens anteriores ao território U´wa, disse sua amiga Leslie Wirpsa em entrevista por telefone de Nova York.
Tanto os índios U´wa quanto seus militantes internacionais são uma dor de cabeça para as grandes empresas e o Estado colombiano enquanto lutam para proteger o futuro da maior riqueza de exportação - o petróleo.
A comunidade U´wa ameaçou suicidar-se em massa no passado se a Occidental prosseguisse com a exploração de petróleo em suas terras, no montanhoso noroeste da Colômbia.





