Norte-americano quer filho de paranaense
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quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A briga pela guarda de uma criança de 4 anos e meio entre uma mãe paranaense e um pai filipino, naturalizado norte-americano, foi parar na Justiça. A autoridade central americana concedeu a guarda para o pai. A mãe, Rita de Cássia Guimarães, 38 anos, tenta na Justiça Federal de Guarapuava manter o filho a seu lado.
Rita estava casada e morando na Flórida, Estados Unidos, há quatro anos. Ela conta que, em agosto do ano passado, veio ao Brasil para visitar seu pai que estava doente e teve autorização do marido para trazer o filho. A intenção, segundo ela, era de passar algumas semanas em Guarapuava, mas como o estado de saúde de seu pai se agravou, decidiu ficar mais tempo, até porque a passagem de um furacão pela Flórida, em setembro, havia obrigado seu marido a se a abrigar em um albergue.
''Ele não gostou da minha decisão de ficar aqui e não teve nenhuma empatia com meus sentimentos'', afirmou Rita, assegurando que desse dia em diante não conseguiu mais falar com o marido. ''Ele não atendeu mais minhas ligações, nem respondeu meus e-mail'', disse.
De acordo com Rita, em abril deste ano, seu marido entrou com um processo, em Brasília, alegando sequestro internacional de menor, amparado na Convenção de Haia. Essa convenção, da qual o Brasil é signatário, é relativa à proteção das criação e à cooperação em matéria de adoção internaciona. Em julho passado, ele teria ingressado com pedido de divórcio e de guarda total da criança, o que foi acatado pela autoridade central americana.
A Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) órgão que representa a autoridade central brasileira para questões envolvendo direito da criança informou, por meio da assessoria de imprensa, que foi acionada pela autoridade americana para tomar providências em relação ao retorno do menino aos Estados Unidos, uma vez que a guarda foi dada a ele.
Segundo a assessoria, como as tentativas de acordo foram fracassadas, a secretaria encaminhou o caso para a Advocacia Geral da União (AGU), que ingressou com a ação na Justiça Federal responsável por causas fundadas em tratados internacionais para garantir o regresso da criança. A autorização assinada pelo pai para permanência do menino no Brasil, de acordo com a (SEDH), era de um mês. Rita alega que esse foi um acordo verbal, mas no papel não há data. A assessoria da SEDH destacou que, mesmo com a ação em curso, continua tentando um acordo entre as partes.
A Justiça Federal de Guarapuava, disse Rita, recolheu os documentos pessoais de seu filho, que tem cidadania brasileira e americana, e estabeleceu prazo até 11 de outubro para ela apresentar sua defesa. ''Não vou jamais desistir do meu filho'', declarou Rita, dizendo-se disposta a voltar para os Estados Unidos, como último recurso, e brigar pela guarda compartilhada.


