Porto Alegre, 24 (AE) - A norueguesa Norsk Hydro, que opera nos segmentos de óleo e energia, metais leves, químico e de fertilizantes, adquiriu o controle da Adubos Trevo, em concordata preventiva desde 29 de julho do ano passado. A informação, que vinha sendo especulada pelo mercado desde 1998, foi confirmada hoje por uma alta fonte próxima à empresa gaúcha. Procurado pela AGÊNCIA ESTADO, o presidente do grupo Trevo, Roberto Lindemann, não foi localizado. No final de dezembro passado Lindemann informou que anunciaria, no primeiro trimestre deste ano, a formação de uma joint-venture com um grupo estrangeiro do setor.
A empresa gaúcha tem uma dívida superior a R$ 130 milhões com fornecedores e onze instituições financeiras. A Trevo busca uma parceria estratégia desde o final de 1998 como forma de garantir acesso a capital de giro e tecnologia. Desde então o mercado tinha como certa uma associação com a norueguesa Norsk Hydro. As negociações chegaram a ser interrompidas no ano passado porque o parceiro - cujo nome não foi revelado oficialmente - queria o controle da empresa, com o que os controladores não concordaram naquele momento.
Lindemann informou, em dezembro passado, que o grupo gaúcho pretendia definir a associação no primeiro trimestre deste ano para garantir aporte de capital para o período de maior aquisição de matérias-primas, em abril e maio. Como as vendas da Trevo concentram-se nos meses de agosto a outubro, o período de giro de capital é de cerca de 120 dias. A situação da empresa gaúcha tornou-se crítica no início de julho de 1999, pouco antes da concordata, quando houve o rompimento das negociações com o comitê de bancos credores, liderados pelo Banco do Brasil, sobre a reestruturação de uma dívida de R$ 106 milhões, em valores de 1997.
Em agosto a Trevo entrou com uma ação na Justiça gaúcha contra o BB, que teria abandonado "unilateralmente" as negociações, cobrando R$ 251 milhões por conta de indenização, lucros cessantes e danos morais. No final do ano passado Lindemann dizia-se "otimista" com o futuro da Trevo. Segundo ele, a empresa estava "enxuta" e operando em volumes "normais" para o período do ano. A previsão era de que as vendas acumuladas ficariam em 520 mil toneladas de fertilizantes
ante 1,04 milhão em 1998. "Deixamos de vender 500 mil toneladas por falta de capital de giro", comentou. Grande importadora de matérias-primas, a Trevo necessita de uma linha aberta de financiamento para capital de giro de US$ 100 milhões, disse, na época, o executivo.

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