Quito, 19 (AE-REUTERS) - O Congresso começou hoje a discutir possíveis saídas para a grave crise econômica que sacode o Equador. O país começa a voltar à normalidade aos poucos, embora ainda persistam alguns focos de protesto. A greve dos transportes, que durou quatro dias, foi suspensa e as aulas reiniciadas.
A única dor de cabeça do presidente Jamil Mahuad continua sendo os protestos da Frente Patriótica, onde quase um milhão de indígenas mantinham bloqueadas muitas estradas do país pelo quinto dia consecutivo.
Os mercados financeiros reagiram hoje com tranquilidade ao debate legislativo, mas alguns analistas acreditam que o pacote fiscal está incompleto e não conseguirá debelar o déficit de 6% do PIB (US$ 1,2 bilhão). Ontem, o presidente conseguiu um pacto com a oposição por meio da qual verá aprovadas medidas econômicas alternativas ao seu pacote econômico.O objetivo da administração Mahuad é conseguir recursos para baixar o déficit fiscal a 3,5%.
Hoje à tarde, o governo ainda articulava uma reunião com representantes indígenas. Amanhã (20), as principais centrais sindicais se reúnem em Quito, a capital, para tomar medidas diante do novo pacote fiscal de Mahuad. A ministra das Finanças, Ana Lucia Armijos, disse que o Equador tem apoio total do FMI. O país negocia atualmente com o organismo internacional a abertura de novas linhas de crédito.
De Londres, analistas e investidores saudaram o novo pacote equatoriano, mas advertiram que o apoio ao país dependerá muito da transformação dos bancos. Desde dezembro, 8 dos 39 bancos que operam no país andino sofreram intervenção do governo por problemas de liquidez.
O Equador perdeu pelo menos US$ 300 milhões com os quatro dias de manifestações populares que paralisaram o país. Embora não existam estatísticas exatas, empresários e banqueiros acham que, por dia, o país perdeu entre US$ 70 e US$ 75 milhões. Para Javier Espinoza, presidente da Câmara de Comércio de Quito, as perdas econômicas foram menores que isso, mas os efeitos da crise serão sentidos no ano inteiro.

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