Norma da CVM ajuda no resultado da Vale no 1º trimestre
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Ana Paula Nogueira 
Rio, 28 (AE) - A desvalorização do real foi fundamental para o lucro líquido de R$ 323 milhões registrado pela Vale do Rio Doce no primeiro trimestre. Apesar de ter causado perdas líquidas de R$ 690 milhões por conta do aumento do endividamento de algumas controladas, este efeito pode ser amenizado através de medida da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que permite o diferimento dos prejuízos cambiais ao longo de quatro anos. Se o artifício não fosse usado, a Vale teria um prejuízo de R$ 267 milhões.
Ao contrário, as receitas em dólar foram todas absorvidas no primeiro trimestre. A empresa teve uma queda de 13% no volume de minério de ferro vendido, tanto no mercado interno como no externo, e redução no preço da tonelada do aço. Mas, a diferença na cotação do dólar fez com que a receita bruta da Vale crescesse de R$ 788 milhões no primeiro trimestre de 1998 para R$ 1 bilhão nos três primeiros meses deste ano.
O resultado de equivalência patrimonial, depois do efeito do diferimento, saltou de R$ 20 milhões para R$ 178 milhões. Isso porque a empresa só computou R$ 100 milhões dos R$ 690 milhões de perdas que algumas empresas do grupo tiveram com a desvalorização. O restante foi diferido. E registrou todos os R$ 278 milhões de ganhos que outras controladas tiveram com a mudança cambial.
O diretor de Relações com o Mercado da Vale, Gabriel Stoliar, destacou que a queda nas vendas no primeiro trimestre deverá ser amenizada ao longo do ano. Stoliar explicou que houve uma maior compra de aço nos três primeiros meses de 1998 por conta da previsão de aumento no preço do produto. "Ao contrário deste ano, com a estimativa de queda no preço, os clientes estão esperando para fazer as encomendas", comentou.
Para o resto do ano, a previsão é que a queda se estabilize em 5%. O volume de vendas de minério e pelotas previsto para 1999 é de 94,1 milhões de toneladas, ante os 99,6 milhões do mesmo período do ano passado. Serão 73,8 milhões do mercado externo e 20,3 milhões do mercado interno.


