Começa em março de 99 um sistema de monitoramento climático especial para o Nordeste, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Secretaria de Políticas Regionais. O Sistema de Monitoramento Climático de Apoio à Agricultura do Semi-Árido será voltado para os cultivos de subsistência da população do Polígono da Seca.‘‘Essa é uma ferramenta de planejamento que aglutina várias informações sobre a região’’, destacou Carlos Nobre, cientista do Inpe.
O objetivo é reduzir a fome na região com um
acompanhamento sistemático da agricultura local. As microrregiões do Nordeste serão informadas diariamente sobre a previsão do tempo, índices de chuvas, tipo de solo, período favorável ao cultivo, entre outras. Todos as informações do semi-árido serão armazenadas num banco de dados e terão a supervisão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O software que concentrará as informações é uma versão do Spring, atualmente utilizado no monitoramento de queimadas na Amazônia Legal. A adaptação está sob responsabilidade do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), órgão do Inpe. As informações serão repassadas em tempo real para um site da Internet de acesso público, ao governo federal e aos Estados.
A rede que atenderá aos municípios ainda está em estudo, mas os dados devem ser repassados por fax, rádio, telefone ou via computador. Esse programa será usado especialmente nas épocas de secas, evitando o agravamento do quadro de miséria nas áreas afetadas. ’’ ‘‘O governo poderá antecipar sua política de emergência em até doismeses’’, observou Nobre.
O sistema torna possível o acompanhamento da estação das águas, que acontece entre fevereiro e maio. Isto permitirá antecipar planos especiais de atendimento às comunidades atingidas pelo déficit hídrico - causado pela estiagem ou irregularidade na distribuição das chuvas. As culturas de milho e feijão, que predominam no Nordeste, serão monitoradas nesta fase. Desta forma se saberá, por estimativa, a qualidade da safra.
O custo estimado do sistema é de US$ 3 milhões. O Cptec obterá as informações via satélite. Num primeiro momento, a captação será feita das Plataformas de Coleta de Dados (PCDs) espalhadas pelo Nordeste e de estações meteorológicas, por rádio. Nas localidades sem esses equipamentos, os dados serão repassados por agentes treinados pelo serviço telefônico 0800. O sistema funcionará plenamente em dois anos. ’’A idéia é automatizar o máximo, substituindo tudo por mais 100 PCDs’’, comentou Nobre.

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