Nordeste lidera homicídios no País
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília - Baixos indicadores de desenvolvimento humano e fácil acesso a armas de fogo são apontados pelo Ministério da Justiça como fatores preponderantes para o Nordeste registrar os maiores indicadores de homicídio do País. A região atualmente concentra as mais altas taxas brasileiras, com 33,76 mortes a cada 100 mil habitantes. No Ceará, a proporção é de 46,9 assassinatos a cada 100 mil e em Sergipe, 45 por 100 mil.
No Sudeste, que concentra 16,91 homicídios por 100 mil, os maiores fatores de risco são a presença de gangues e drogas. No Rio e em São Paulo, conflitos com a polícia são classificados como problemas graves, que aumentam o risco de homicídio nos dois estados.
Os dados integram o documento Diagnóstico dos Homicídios no Brasil, lançado ontem, em Brasília. Preparado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, o trabalho pretende dar subsídios para nortear a adoção de políticas para o Pacto pela Redução de Homicídios.
O pacto pretende reduzir em 5% as taxas de homicídios até 2018 em 80 municípios considerados prioritários. Para a adoção de estratégias efetivas, autores do estudo procuraram compreender as principais causas dos homicídios, os fatores de risco mais relevantes e investigar como esses fatores afetam, de diferentes maneiras, cada região.
O trabalho levou em consideração fatores como a presença de gangues e drogas, a violência ligada ao patrimônio, a violência interpessoal (como agressões cometidas contra mulheres e aquelas praticadas no ambiente doméstico), conflitos na sociedade civil, a violência cometida e sofrida por agentes policiais. Também foi avaliada a presença do Estado. Para esse indicador, foram considerados, por exemplo, a quantidade de médicos nos sistemas de saúde, o efetivo de policiamento, o acesso à Justiça, a cultura e ao lazer. Entraram ainda na avaliação o acesso a armas de fogo e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ambos compõem um quesito, batizado de indicador transversal. Para tornar mais fácil a análise dos dados, pesquisadores elaboraram o indicador síntese, com resultados para os sete quesitos.
Os resultados mostram que no Sudeste conflitos com a polícia são considerados fatores graves para aumentar o risco de homicídio nos Rio e em São Paulo. No Espírito Santo e em Minas, o quesito é considerado um fator mediano, mas vale ressaltar que São Paulo notifica melhor esse tipo de ocorrência.
No Norte, o estado que apresentou pior classificação foi o Pará, com todos os quesitos considerados de alta gravidade. Na Bahia, o estado que apresenta o maior número absoluto de homicídios no País, foram seis quesitos pontuados como de alta gravidade.


