Brasília, 21 (AE) - A nomeação de Tereza Cristina Grossi Togni na diretoria de Fiscalização do Banco Central é uma vitória do presidente da autarquia, Armínio Fraga.
Ela foi escolhida para ocupar o cargo em novembro do ano passado e, na época, Fraga distribuiu uma nota à imprensa onde afirmava que "sua experiência e competência a qualificam para conduzir uma área que é prioritária para o Banco Central e o governo".
No entanto, resistências surgidas no Senado, na esteira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro Nacional, fizeram com que sua indicação ficasse engavetada por quatro meses. Nesse período, ela exerceu, na prática, o comando da área de Fiscalização do BC.
Em seu depoimento à CPI, no dia 3 de maio do ano passado, Teresa Grossi não hesitou em assumir responsabilidades e enfrentar parlamentares. Por várias vezes, o presidente Fernando Henrique citou seu exemplo de firmeza para defender a atuação do Banco Central no episódio.
Tereza Grossi afirmou na frente de todos os senadores que foi dela a idéia de solicitar a carta à Bolsa de Mercadorias e Futuros. Na carta, a BM&F comunicava ao BC a situação de exposição do banco Marka no mercado futuro de dólar.
O fato de o documento ter sido escrito posteriormente à operação foi muito questionado pelos integrantes da CPI. Grossi afirmou a eles que o documento foi apenas uma precaução, não tinha a menor importância, pois o BC tinha autonomia para fazer o que fez.
Durante o depoimento, ela não se deixou intimidar mesmo pelos inquiridores mais eloquentes, deu explicações de um modo que beirou o professoral e em nenhum momento mudou seu tom de voz.
Sua firmeza impressionou os parlamentares. Do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), ela arrancou elogios por sua "elegância".
Outros, porém, a consideraram arrogante. Embora tenha-se saído bem nas explicações, Teresa Grossi não teve seu nome desassociado de uma operação suspeita de irregularidade, e por isso muitos senadores aconselharam o presidente Fernando Henrique Cardoso a desistir da indicação. Também por sua participação nessas operações, Grossi figura nos processos em andamento no Ministério Público.
Fraga, porém, insistiu na indicação por uma razão simples: Teresa Grossi é a pessoa mais adequada de sua equipe para ocupar o cargo. Não indicá-la, na visão do presidente do BC, seria uma injustiça.
Além do mais, segundo lembram parlamentares aliados do governo
ela apenas cumpriu ordens, rigorosamente dentro dos regulamentos do BC.
Atualmente, Tereza Grossi ocupa a chefia do Departamento de Fiscalização do BC. Entre seus subordinados, ela tem reputação de ser exigente, não tolerar erros e ser extremamente rigorosa no cumprimento de suas funções.
"Ela é muito boa, é competente", elogiou um diretor do BC. "E - principalmente - êta mulher firme!" Mineira, 50 anos, Teresa Grossi é funcionária de carreira do BC, onde ingressou há 15 anos, tendo atuado sempre na área de fiscalização, inicialmente na regional de Belo Horizonte (MG).
Ela foi chamada a Brasília para ajudar os técnicos a reunir informações para a CPI dos Precatórios, e desde então tem trabalhado na sede do BC. Antes de prestar concurso para o BC, Grossi teve passagem pela iniciativa privada: trabalhou na Belgo-Mineira, na Usiminas e na empresa de auditoria Arthur Andersen.

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