Nomeação de coronel da PM para Segurança Pública provoca reações no Rio
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 07 (AE) - A nomeação do coronel da Polícia Militar Josias Quintal para a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio abriu nova crise no setor. Policiais civis estão apreensivos com a opção do governador Anthony Garotinho, para pôr fim à disputa de poder entre o ex-secretário, general José Siqueira, e seu subsecretário, Luiz Eduardo Soares. A categoria teme que a Polícia Civil acabe sendo discriminada pelo novo secretário. É a primeira vez na história do Rio que um oficial da PM ocupa o cargo.
Amanhã (08) de manhã, o chefe de Polícia Civil, delegado Carlos Alberto DOliveira, o Caó, se reúne com delegados para discutir o assunto. Dentro da Chefia de Polícia, a regra é o silêncio. Tanto Caó quanto sua subchefe, delegada Marta Rocha, não comentam publicamente a nomeação. Mas policiais ligados a Caó têm dito que ele está muito procupado com as reações dentro da corporação.
Insatisfação - O Sindicato dos Delegados Civis do Rio e o Núcleo de Defesa dos Policiais Civis, que representam os agentes, não escondem a insatisfação. "Estou muito amedrontado com o que possa acontecer", afirmou o diretor do núcleo, Cláudio Cruz. O presidente da Associação de Delegados de Polícia, Wladimir Reali
que representa 90% dos 900 delegados cariocas também se diz "apreensivo".
Soares e o novo secretário, que hoje fizeram questão de mostrar que estão afinados, acham a reação dos policiais civis "natural", já que tanto a PM quanto a Civil são "instituições corporativas". "O objetivo é desenvolver a política do governador, que não privilegia nenhuma das corporações", afirmou Soares.
Hoje à tarde, Garotinho demitiu o chefe do serviço de contra-inteligência do Centro de Inteligência e Segurança Pública (Cisp), Marcos Paes, acusado de ser o pivô da crise entre Siqueira e Soares. O almirante Oscar Moreira vai assumir o cargo de diretor do órgão.


