Nome de Koch-Weser perde força para chefiar FMI Do correspondente PAULO SOTERO
Washington, 08 (AE) - Apenas algumas horas depois de um porta-voz do governo da Alemanha ter afirmado que via "sinais positivos" de respaldo à candidatura de seu vice-ministro das Finanças, Caio Koch-Weser, para o cargo de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, chegando mesmo a prever um anúncio de apoio em Paris nos próximos dias, o palácio do Eliseu informou que "não há mudança" na posição do governo francês.
"Há muita conversa na imprensa sobre a nomeação para o FMI"
disse uma porta-voz do presidente Jacques Chirac, no que soou como uma resposta à desajeitada tentativa de Berlim de falar por Paris. "A posição francesa é, como sempre, em favor de um candidato europeu e a decisão deve ser feita por consenso entre os países europeus".
Em Washington, o secretário do Tesouro, Larry Summers, jogou água fria na candidatura de Koch-Weser, reiterando as qualificações que Washington quer ver no sucessor do francês Michel Camdessus, que anunciou sua renúncia em novembro, faltando dois anos para completar seu terceiro mandato, alegando razões pessoais. "Acreditamos importante que seja selecionada uma pessoa com força e estatura, com capacidade para administrar um leque difícil de temas e capaz de inspirar respeito ao redor do mundo", afirmou Summers depois de prestar depoimento no Congresso sobre a proposta orçamentária do executivo para o ano fiscal de 2001. Koch-Weser, um economista de 55 anos nascido no Brasil, fez carreira no Banco Mundial, onde chegou a vice-presidente, mas sem deixar marcas visíveis de liderança, segundo funcionários da instituição. Há forte resistência a seu nome no "staff" do Fundo.
Com a decisão ainda no ar, um grupo de organizações não-governamentais que ajudaram a provocar o colapso da reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio, em Seattle, em dezembro passado, classificou hoje o processo de escolha do diretor-geral do FMI "de secreto e antidemocrático". Em carta enviada ao Comitê Financeiro e Econômico Internacional da instituição, eles pediram que a seleção do sucessor de Camdessus seja feita de forma aberta e transparente, a partir de uma lista de candidatos "de todas as regiões".
"No contexto de um mundo integrado não se justifica continuar com um sistema que permite a uma rica minoria a apontar o chefe de uma instituição com tanta influência sobre os países em desenvolvimento", afirmaram os signatários, que incluem as ONGs Amigos da Terra e Jubileu 2000. Esses grupos prometem repetir, em abril, durante as reuniões de primavera do FMI, em Washington, os protestos contra a globalização que marcaram a reunião da OMC. Hoje, os diretores executivos que representam os onze países em desenvolvimento com assento na diretoria executiva do FMI indicaram, em reunião informal, disseram que gostariam de ver mais nomes na disputa.
O simples fato de Koch-Weser não ter, até agora, conseguido garantir o apoio da Europa, que tradicionalmente escolhe o chefe do FMI, indica que o candidato de Berlim não preenche as condições para obter o apoio dos EUA, que é o maior acionista dos EUA e tem poder de veto sobre a decisão.
Camdessus evitou comentar sua sucessão hoje, em sua última entrevista coletiva antes de deixar o posto, nesta sexta-feira. Na ausência de um sucessor eleito, o primeiro- vice-diretor geral, o economista americano Stanley Fischer, assumirá interinamente o comando da instituição.





