Noite de medo em Telêmaco Borba
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sexta-feira, 06 de janeiro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A tranquilidade dos moradores de Telêmaco Borba, cidade com cerca de 60 mil habitantes, deu lugar ao susto e à preocupação. Os dois abalos sísmicos, registrados na noite de quarta-feira no município, tiraram o sono da população que ainda ontem tentava entender o que havia acontecido.
A reportagem da Folha conversou ontem com os moradores, que viram móveis se arrastando pelos cômodos das casas, objetos caindo e o chão tremendo.
Um dos locais que mais sentiram o tremor foi o Conjunto Residencial Tibagi, no Centro da cidade. A maioria dos moradores dos 240 apartamentos estava em casa, assistindo televisão ou jantando, quando ouviu um barulho forte seguido de tremor. Foram poucos segundos, mas suficientes para assustar. Com um intervalo de dez segundos, outro tremor foi percebido, desta vez mais forte.
A síndica do prédio Helena Pereira conta que naquele momento os moradores começaram a deixar o prédio. ''Foi a maior correria. Todo mundo ficou apavorado'', comentou. A síndica disse que estava no banho, quando a filha de apenas 7 anos chamou por ela assustada. ''Foi só o tempo de me vestir e sair com ela''.
Fora do prédio, Helena se encontrou com outros moradores que tentavam entender os tremores. Entre eles, o administrador de empresas Celso Santana Barros de Souza, que estava no apartamento com a mãe e uma irmã. ''Sentimos muito medo, foi terrível, uma coisa que nunca vivenciamos. Os tremores balançaram o sofá e os quadros na parede. Na hora você não sabe explicar o que está acontecendo. É uma sensação de desespero'', disse.
Nos apartamentos mais altos, os abalos foram sentidos com maior intensidade. Edson Gomes, a esposa e duas filhas, estavam na cozinha. ''Parecia que tinha passado um caminhão muito pesado na rua'', lembrou Rute, a esposa. ''Quando percebi a correria dos moradores, abri a porta da cozinha e aí aconteceu o segundo tremor. A porta chacoalhou, fazendo o maior barulho'', lembrou Gomes.
A policial militar Tânia Buture Ribeiro, que estava no andar de cima com uma filha de 14 anos, relatou que a estante da sala balançou, quase derrubando os capacetes. ''Eles ficaram na beirada da estante''. Tânia conta que estava falando ao telefone, sentada num sofá com os pés encostados numa cômoda. ''Só senti a cômoda se movimentando e forçando minhas pernas. Só deu tempo de sair correndo com minha filha''. Na vizinha ao lado, um rádio chegou a cair da estante.
Na portaria do prédio, o vigia Adenilson da Silva Santos também se assustou. ''Pensei que um caminhão passava na rua, mas olhei e não vi nada. Logo depois, os vidros da guarita começaram a tremer. ''Nunca vi isso. A sensação é de muito medo''.
A síndica relatou que muitos moradores decidiram não voltar para os apartamentos, com medo de novos abalos e foram dormir na casa de parentes. Outros, ficaram fora do prédio até de madrugada, conversando sobre o acontecimento. Somente ontem, com informações pela imprensa, os moradores, já mais tranquilos, revelaram o medo de que os tremores voltem a acontecer com maior intensidade.


