São Paulo - A pesquisa de dois importantes vírus para a história do século 20 mereceu o Prêmio Nobel de Medicina de 2008. Metade dos 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3 milhões) foi para o pesquisador alemão Harald zur Hausen, que descobriu a relação entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer de colo de útero, segundo tumor que mais mata mulheres no mundo. A outra metade será dividida entre os descobridores do HIV, vírus que causa a aids, os franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier.
  Cerca de 250 mil mulheres morrem por ano vítimas do câncer de colo de útero, segundo a Organização Mundial de Saúde. A aids matou 2 milhões de pessoas em 2007, entre elas 330 mil crianças. Atualmente, 33 milhões vivem com o vírus.
  Montagnier, de 76 anos, dedicou o prêmio a toda sua equipe e a todos os cientistas que trabalharam com ‘‘este tipo de vírus em animais antes de o fazerem com humanos’’.
  Em 1981, a síndrome de imunodeficiência adquirida (aids) foi descrita pela primeira vez. Contudo, o agente causador ainda não era conhecido. Foi quando entraram os esforços de Barré-Sinoussi e Montagnier, virologistas e na época funcionários do Instituto Pasteur.
  Em 1983, eles realizaram testes com tecidos retirados de pacientes com a síndrome e caracterizaram a presença de um retrovírus ainda desconhecido. Chamaram-no inicialmente de vírus associado à linfadenopatia (LAV), já que ele veio de linfonodos inchados pela doença.

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