Nobel defende mercado de trabalho sem regulamentação
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quarta-feira, 11 de outubro de 2000
Paulo Cabral e Fernando Dantas Agência Estado Do Rio 
O ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano, James Heckman, que se encontra no Rio de Janeiro, defendeu a desregulamentação do mercado de trabalho nos países da América Latina, como uma forma de aumentar o emprego. O anúncio d o prêmio, dividido com o norte-americano Daniel McFadden, foi feito ontem pela Real Academia Sueca de Ciências.
O economista ressaltou que algumas regulamentações, como as que dizem respeito à segurança no trabalho, devem ser mantidas. Acho que alguma regulamentação precisa existir, mas entre o excesso e a total ausência de regulamentação, acho melhor que não haja nenhuma.
Por outro lado, o americano sugeriu o pagamento de subsídios para que as empresas contratem trabalhadores sem qualificação. De acordo com Heckman, o método pode ser aplicado para pessoas mais velhas, para as quais não seria eficiente estabelecer programas de requalificação profissional. Uma pessoa de 45 anos ou 50 anos não tem a mesma disposição de aprender de um jovem de 25 anos, disse. Só é preciso cuidado para que os subsídios aos pais não acabem sendo transferidos aos filhos e estes também não busquem qualificação.
Para Heckman, a desregulamentação do mercado de trabalho ampliaria a base de renda da população para a cobrança de impostos. Essa arrecadação adicional poderia ser usada no modelo proposto pelo americano para subsidiar o trabalho.
Sobre a globalização e a abertura econômica, o economista comentou: É inegável que a globalização provoca um certo desordenamento na economia, porque, no curto prazo, é prejudicial. Mas ele concluiu que no longo prazo, no entanto, acredito que ela será positiva.
O americano disse que a América Latina precisa se dedicar mais a estudos e análises empíricas da economia, como forma de entender as mudanças provocadas pela globalização.
O ganhador do Nobel elogiou os esforços do Brasil no melhoramento do ensino básico. Mas é importante dizer que não se deve desprezar o ensino superior, embora seja essencial o desenvolvimento do ensino básico, declarou. Ele participa de seminário na Fundação Getúlio Vargas, no Rio.


