Paris - Vários países manifestaram satisfação com a atribuição do Prêmio Nobel da Paz ao ex-presidente americano Jimmy Carter. Por outro lado, o anúncio do prêmio gerou uma série de críticas à atual política externa de Washington.
Vários países, como Alemanha, Israel e até mesmo Cuba, não quiseram comentar a declaração do presidente do Comitê Nobel para a Paz, Gunnar Berge, que ressaltou que o prêmio de 2002 ''pode e também deve ser interpretado como uma crítica à política do Governo dos Estados Unidos em relação ao Iraque''.
O ministro das Relações Exteriores cubano, Felipe Pérez Roque, expressou a ''grande satisfação'' de seu país pela entrega do prêmio a Carter, destacando que foi ''feita justiça''.
Carter realizou uma histórica visita a Cuba em maio deste ano, durante a qual levou à população cubana uma mensagem sobre os direitos humanos. Além disso, intercedeu entre Havana e Washington para tentar obter uma aproximação em sua longa e tensa diferença política.
O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que ''o presidente (George W. Bush) pensa que é um grande dia para Jimmy Carter e um momento importante. Por isso lhe telefonou''. Fleischer negou-se a responder perguntas sobre as críticas do presidente do Comitê Nobel da Paz.
Carter afirmou que teria votado ''não'' ao uso da força militar dos EUA contra o Iraque, em uma entrevista concedida a rede americana CNN.
A escolha de Carter para receber o Nobel da Paz ocorreu em um momento no qual o Congresso americano acaba de autorizar a Casa Branca a um eventual recurso unilateral da força contra o Iraque, para eliminar suas supostas armas de destruição em massa.
Já o presidente afegão Hamid Karzai, cujo nome era um dos cotados para receber o prêmio esse ano, se comportou como um bom perdedor e disse que Carter ''merecia mais o prêmio''.

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