A morte materna é a quinta causa de óbitos entre adolescentes no Paraná. De acordo com os dados levantados pelo Comitê Estadual de Mortalidade Materna, entre os anos de 1993 e 1998, o percentual de morte materna entre adolescentes com idades entre 15 e 19 anos foi de 10,6%. Setenta por cento das adolescentes apresentavam escolaridade inferior ao Ensino Fundamental, 65% delas não usavam qualquer tipo de método contraceptivo, 80% eram primogênitas e 55% casadas. As causas de óbitos maternos entre adolescentes foram registradas como hipertensão específica da gestação (15%), infecção puerperal (12%), complicações anestésicas (10%), hemorragias (8%) e outras complicações relativas à gravidez e/ou parto (26%).
A população de adolescentes no Paraná é estimada em 1,9 milhão de habitantes, cerca de 20,7% do total em 1998. A taxa de gravidez na adolescência chega a 22,8% dos nascidos vivos. Uma pesquisa nacional demonstrou que a média brasileira da primeira relação sexual é de 16 anos para meninas e 15 anos para meninos. Vinte e seis por cento da população feminina com idades entre 15 e 24 anos já viveu uma gravidez, sendo que em 40% dos casos a gravidez foi indesejada.
Estes dados irão fazer parte agora de um livro com 16 artigos de especialistas nacionais que trabalham com adolescentes. O livro será editado pela Associação Brasileira de Enfermagem e conta com dois textos paranaenses. Esta é a segunda etapa do projeto Acolher – lançado em novembro do ano passado em todo o Brasil e que conta com a atualização de profissionais da saúde no trato com adolescentes.
‘‘O objetivo é promover a integração de nossos profissionais com o adolescente. Gerando compreensão e sintonia’’, explicou Eucléa Gomes Vale, presidente da Associação. Para ela, o maior desafio enfrentado hoje pelos profissionais da área é dialogar com os adolescentes sobre prevenção da gravidez, drogas, doenças sexualmente transmissíveis, relação do adolescente com a família.
Até agora, 35 mil profissionais já foram capacitados em todo o País. No Paraná, foram apenas 3 mil. A terceira etapa do programa deverá ser a da construção de atividades e procedimentos que irão fazer parte de um manual. A intenção é lançar o manual em março do ano que vem. Entre os dias 21 e 26 de outubro, o assunto será discutido no 53º Congresso Brasileiro de Enfermagem, no Recife (PE).

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