Curitiba - Cerca de 28 mil pessoas no Paraná podem estar contaminadas pelo vírus da Aids e não ter conhecimento disso. A estimativa é da Secretaria de Estado da Saúde que, juntamente com o governo federal, está lançando a campanha Fique Sabendo, destinada a estimular a população a fazer os exames que detectam a presença do vírus HIV no organismo. O Ministério da Saúde estima que para cada pessoa com Aids, três outras pessoas estão infectadas pelo vírus sem saber. Cerca de 8 mil paranaenses atualmente convivem com a doença.
O objetivo principal da campanha é aumentar a qualidade de vida dos infectados pelo HIV. Uma pessoa infectada que não tenha conhecimento de sua situação desenvolve a Aids em média após nove anos de sua infecção. Após a instalação na doença, os tratamentos já não são tão efetivos, pois o sistema imunológico do paciente fica comprometido. Um diagnóstico precoce da infecção por HIV permite aos pacientes uma maior qualidade de vida, e a possibilidade de nem chegar a desenvolver a Aids.
Além de permitir aos doentes uma maior sobrevida, a campanha também pode ajudar o Ministério da Saúde a levantar o perfil dos infectados, aumentando a eficácia de outras campanhas. O número de infecções também pode se reduzir com um maior número de pessoas sabendo de sua condição.
O Paraná é o quinto estado em números absolutos de casos confirmados de Aids no Brasil, com 12.557 casos registrados desde 1984. Segundo dados do Ministério da Saúde, São Paulo é o estado com o maior número de casos da doença: até dezembro do ano passado, 118 mil casos da doença já haviam sido notificados, o que equivale a 45% dos 258 mil casos registrados em todo o País. Os demais estados com número elevado de pessoas que desenvolveram a Aids são o Rio de Janeiro (36,4 mil casos), Rio Grande do Sul (21,6 mil casos) e Minas Gerais (15,4 mil casos).
Apesar da posição do Paraná neste ranking, alguns números divulgados pelo Ministério da Saúde são animadores. O número de indivíduos que desenvolveram a doença caiu drasticamente nos últimos anos. Até 2001, o Estado vinha registrando uma média histórica de 15,5 habitantes com Aids por grupo de 100 mil habitantes. Pelos dados do Ministério, essa taxa atualmente gira em torno de 5,5 doentes por grupo de 100 mil habitantes.
Segundo a coordenadora estadual do programa de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde, Rita de Cássia Guimarães Esmanhoto, a diminuição da taxa se deve justamente a utilização do coquetel anti-Aids desde 1999, que possibilitou às pessoas infectadas pelo HIV combater o vírus antes que ele iniciasse a destruição do sistema imunológico, evoluindo para a Aids. ''Por isso a importância da campanha, que dá a quem por acaso estiver infectado com o vírus a chance de iniciar o tratamento mais cedo'', explicou.
Os exames de Aids podem ser feitos em 19 centros espalhados pelo Estado, com garantia de anonimato. Além disso, algumas cidades maiores realizam o exame também nas unidades de saúde municipais, como Curitiba, Londrina e Maringá. Em Curitiba, desde 2000 mais de 55 mil exames foram realizados. ''Esse sistema permite à população realizar o teste sem se deslocar muito de sua casa. Além disso, o resultado é rápido, saindo em cerca de quatro dias'', comentou Mariana Thomaz, coordenadora no núcleo de DST/Aids da Prefeitura de Curitiba.

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