Cerca de 120 integrantes do MST, segundo cálculos da Polícia Militar, invadiram ontem, o prédio do fórum de Teodoro Sampaio, em ação que fez parte do Levante do Campo, realizado em todo o País, em comemoração pela passagem do dia do lavrador. Os manifestantes picharam as paredes externas do prédio e permaneceram durante duas horas e meia gritando palavras de ordem, principalmente contra o juiz da Comarca, Átis de Oliveira Araújo.
Esta foi a primeira vez que o MST do Pontal age diretamente contra o Poder Judiciário. A ação foi desencadeada em protesto contra decisão do juiz que determinou a remoção dos sem-terra acampados em frente a fazenda Santa Ida, em Teodoro Sampaio, para uma distância não inferior a 10 quilômetros daquela propriedade.
Em Mato Grosso, mais de 3 mil desempregados, esposas e filhos de policiais militares em greve e trabalhadores rurais participaram da mobilização. Em várias cidades houve passeatas e não se registrou invasão de terras ou prédios públicos.
Gritando palavras de ordem e portando faixas e cartazes, os manifestantes pediram a abertura de uma CPI para investigar o desvio de verbas do Fórum Trabalhista de São Paulo e o envolvimento do ex-secretário-geral da presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira com a liberação dos recursos. Bonecos simbolizando o banqueiro Salvatore Cacciola e o juiz Nicolau dos Santos Neto - ambos foragidos - foram queimados na Praça da República, centro de Cuiabá.
A concentração da passeata foi em frente ao escritório de Furnas Centrais Elétricas, estatal responsável pela Usina de Manso, no Trevo do Santa Rosa, em Cuiabá. Eles protestaram contra a construção da usina. Em seguida, os manifestantes percorreram mais de 10 quilômetros para protestar contra a política econômica e agrícola do governo federal em frente ao City Bank, na Avenida Isaac Póvoas.

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