Londrina - No Paraná, o edital para constituição do Conselho Estadual de Juventude está aberto desde o ano passado, para inscrição de entidades interessadas em participar da elaboração da lei. De acordo com Edson Lau Filho, assessor especial de Juventude no Estado, o principal foco das políticas voltadas ao jovem paranaense será a oferta de oportunidades de emancipação. "Ter vida própria, casa, trabalho, um negócio é a aspiração dos jovens. As políticas devem tirar essa parcela da população do risco e emancipá-la", acredita.
Lau Filho reforça que a maior reivindicação dos Estados é o estabelecimento do Sistema Nacional de Juventude, que vai integrar as políticas disponíveis para a faixa etária. "Passa por educação, esporte, saúde, cultura, acesso ao trabalho e empreendedorismo, entre outras áreas", diz.
Ele elenca algumas prioridades do Estado, como o combate à elevada mortalidade de jovens nas regiões de fronteira (Guaíra e Foz do Iguaçu), à gravidez na adolescência e o enfrentamento da violência no trânsito. Sobre os pontos positivos, ele lembra que o Paraná tem instituições de ensino superior público em todas as regiões e investe em ações de fomento ao empreendedorismo, como é o caso do programa Crédito Jovem, que oferta, com taxas de juro abaixo do mercado, até R$ 200 mil para jovens interessados em abrir um negócio.
Para o promotor Murillo José Digiácomo, da área de infância e juventude do Ministério Público do Paraná, o Estatuto só será eficiente se houver implementação de políticas públicas que contemplem as demandas dos jovens. "É preciso haver planejamento de ações voltadas à solução dos problemas desta parcela da população", diz. Entre as dificuldades a serem enfrentadas, cita a intensificação da evasão escolar a partir dos 15 anos, a educação nem sempre atraente aos jovens e desconectada da profissionalização, questões de saúde como drogas, gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis (DST) e a qualificação para o trabalho. "A lei, por si só, não muda a realidade de ninguém. É preciso planejamento de ações e investimentos", avalia.
Ele explica também que o Estatuto da Juventude é parecido com o Estatuto da Criança e do Adolescente, mas implementa conquistas adicionais para além da chamada adolescência legal, que se encerra aos 18 anos. "A responsabilidade do poder público não se reserva à infância e à adolescência", defende. (C.A.) (Leia mais na página 8)

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