Londrina – O coordenador da Regional Sul do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Jackson Lopes Santana, pontuou algumas questões prioritárias a serem resolvidas no Paraná. A região Oeste, onde os índios esperam há vários anos a criação de novas reservas, é apontada como a região mais problemática em relações a conflitos, principalmente na região entre Guaíra e Foz do Iguaçu. Os atropelamentos são outra preocupação.
O ativista lembra que, em 2011, pelo menos seis índios morreram atropelados na BR-277, no Centro-Sul do Estado. Santana também criticou a construção de hidrelétricas em áreas indígenas. "Existe uma violência indireta, mas não menos grave como a que sofreu a população indígena da região da usina hidrelétrica em Mauá da Serra, por exemplo".
No relatório paranaense da Comissão Nacional da Verdade, o procurador de Justiça do Ministério Público do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, incluiu perseguições contra comunidades indígenas no Paraná a partir dos anos 1940. Em entrevista recente concedida à FOLHA, ele lembrou massacres de comunidades inteiras, como os xetás.
Segundo Sotto Maior Neto, algumas questões precisam ser esclarecidas, como a construção de Itaipu. "O número oficial de comunidades que havia próximo à hidrelétrica, quando do alagamento, é irrisório, cerca de vinte e tantos índios. Agora, o levantamento que se faz é que se tratava de centenas de comunidades que foram expulsas para o Mato Grosso e Paraguai", disse à época.
A população indígena brasileira é de 294.131 pessoas, sendo que 25.915 vivem no Paraná. Atualmente existem três etnias indígenas no Estado: Guarani, Caingangue e Xetá. A grande maioria vive em 17 terras indígenas demarcadas pelo governo federal, porém as comunidades reivindicam ampliação dos espaços e criações de novas reservas. (C.F.)

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