No Pará, risco de invasão põe o Exército em alerta
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de maio de 1997
Agência Estado 
BELÉM - O Exército montou um esquema especial para tentar impedir a invasão dos 411 mil hectares do chamado Cinturão Verde da Serra dos Carajás, no sul do Pará, por seis mil famílias já cadastradas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e garimpeiros da Serra Pelada. O Cinturão Verde, na região de Parauapebas pertence à Companhia Vale do Rio Doce, que está em processo de privatização. No Mato Grosso do Sul, subiu para 1.200 o número de sem-terra que ocuparam a Fazenda Santa Guilhermina de Quintela, localizada entre os municípios de Sidrolândia e Nioaque, no oeste do Estado.
O tenente-coronel Aragão Mendes, do 52º Batalhão de Infantaria e Selva (BIS) de Marabá (PA), já tem cerca de 600 soldados da companhia de fuzileiros do 50º BIS de Imperatriz (MA) e o 51º BIS de Altamira, acampados no clube Serra Norte, dentro das instalações da Vale. Um helicóptero deslocado de Manaus está apoiando as ações do Exército.
Segundo Mendes, a movimentação de sem-terra e garimpeiros cresceu bastante no último final de semana, sobretudo depois que a rádio Nacional da Amazônia, emissora oficial do governo federal de grande audiência na região, anunciou que o leilão de venda da Vale poderia ser realizado nas próximas horas. O Exército admite que terá dificuldades de evitar a invasão, se esta ocorrer através dos rios Itacaiúnas e Vermelho. Não há lanchas e nem outro tipo de embarcação para transportar os soldados pelos dois rios. O major Joaquim, comandante da Companhia de Polícia do Meio-Ambiente (Cipoma), da Polícia Militar de Parauapebas disse que a ordem, por enquanto, é proteger o portão de entrada da Vale.
Em Marabá, dirigentes do MST informaram que o acampamento dos sem-terra, montado a 300 metros do portão da Vale, será reforçado hoje por grupos de lavradores cadastrados em vários municípios da região. Os garimpeiros também estão nos ajudando bastante na mobilização, explicou Jorge Nery, diretor do MST. Na entrada do ramal que leva ao Projeto Serra Leste, onde a Vale realiza sondagens na mina de 150 toneladas de ouro, os garimpeiros exibem faixas e cartazes chamando o governo de entreguista e vendilhão do País.
Reforço - Ontem, mais 500 sem-terra chegaram ao oeste do Mato Grosso do Sul e pretendem juntar-se às 200 famílias, aproximadamente 700 pessoas, que, no domingo, invadiram a Fazenda Santa Guilhermina de Quintela. O objetivo é atrair a atenção dos técnicos do Incra e conseguir a confirmação da data em que será realizada a vistoria na fazenda, para que ela seja incluída no Programa Nacional de Reforma Agrária.
Ontem à tarde, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul (Fetagri), Geraldo Teixeira de Almeida, foi colocado a par da situação pelos líderes invasores.
Geraldo acredita que o aumento do número de trabalhadores sem-terra na fazenda invadida, indica que eles resistirão a um possível despejo com força policial, medida que até a tarde de ontem ainda não estava prevista.


