No Pará, 40 prefeituras serão investidas pela CPI
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Edson Luiz (enviado especial) 
Belém, 08 (AE) - Pelo menos 40 das 143 prefeituras do Pará serão investigadas pela CPI do Narcotráfico por suspeita de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. O sub-relator da CPI, Pompeo de Mattos (PDT-RS), afirmou que alguns prefeitos e secretários serão convocados a depor em Brasília, após o recesso da comissão. O superintendente da Polícia Federal no Pará, Geraldo José de Araújo, disse hoje que parte da droga que entrava no Estado vinha de regiões controladas pelas Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) e eram trocadas por armas.
Em seu primeiro dia no Pará, a CPI centrou as investigações no empresário Leonardo Dias Mendonça, acusado de chefiar a conexão Brasil-Suriname-Colômbia do narcotráfico e dono de algumas das empresas que forneciam notas fiscais frias para prefeituras encobrirem licitações e obras superfaturadas ou inexistentes. Pelos levantamentos da CPI no Pará, pelo menos três empresas (Roma, Piquete e Impacto) foram formadas para lavar dinheiro do tráfico.
"A investigação que será feita vai identificar até que ponto as prefeituras estão envolvidas com o narcotráfico", afirmou Mattos. "Mas, pelo que sabemos até agora, algumas prefeituras estavam misturando dinheiro público e do tráfico de drogas." Segundo o Ministério Público Federal, pelo menos em quatro cidades - Itaituba, Tucumã, São Félix do Xingu e Marabá - já existem indícios de irregularidades.
O trabalho da CPI resumiu-se a levantar informações sobre Leonardo Mendonça e suas ligações com o esquema de tráfico de drogas envolvendo Suriname, Colômbia e Brasil. Segundo o superintendente da PF, Geraldo de Araújo, Mendonça é o responsável pelo transporte da cocaína para o exterior, fazendo a conexão no Brasil e em território surinamês. Araújo ressaltou que o Pará estava sendo rota do transporte de armas para a Colômbia. Uma testemunha, ouvida pela Justiça da Holanda, confirmou o intercâmbio entre as Farc e traficantes.
A relação entre o grupo supostamente comandado por Leonardo Mendonça e as Farc foi confirmada no depoimento dado pelo piloto Antenor José Pereira, preso em novembro. Pereira disse à PF que foi convidado a fazer vôos entre Colômbia, Brasil e Suriname. Ele recebia US$ 15 mil por vôo e outra pessoa, identificada apenas por Pé na Cova, intermediário entre ele e Mendonça, recebia US$ 35 mil. Pereira pagava US$ 10 mil às Farc. Ele não quis confirmar a história à CPI.


