No PAM, espera é de até quatro horas em média
Londrina - O tempo aguardado para ser atendido ou passar por uma consulta é a grande reclamação dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os 2.418 entrevistados pelo Datafolha, pelo menos 30% declararam estar aguardando ou ter alguém na família aguardando a marcação ou realização de algum procedimento pelo SUS.
Em Londrina, o gargalo é diário. O tempo médio de espera para atendimento no setor de urgência/emergência do Pronto Atendimento Municipal (PAM), no centro, é de quatro horas. "Acho que é muito demorado. Não aguento ficar muito tempo sentada porque ataca as minhas costas", disse a aposentada Alzira da Conceição Marques, de 80 anos, que ontem chegou à unidade às 9h30 com um quadro de bronquite e, após passar pela primeira triagem, às 10 horas, fez novos exames às 13 horas, e às 15h35, quando a FOLHA passou por lá, ainda aguardava os resultados. Ela mora no Interlagos (zona leste).
Na fileira de trás, a dona de casa Nadir Prestes esperava os resultados dos exames de urina feitos pela filha, Angela, de 33 anos, que tem paralisia cerebral e estava com febre. Elas chegaram ao PAM por volta das 8 horas. "Ela tem problemas na coluna e não aguenta ficar muito tempo sentada", disse a mãe, residente no Rui Virmond Carnascialli (zona norte). Uma das atendentes da unidade disse que havia apenas um médico quando ela iniciou o turno. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará (zona oeste), a dona de casa Ivonete Langaro da Silva, de 70 anos, passou pela triagem às 13h30 e ainda aguardava atendimento por volta das 16h20. Ela sentia dores no corpo.
O secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, confirmou que o tempo de espera para atendimento nas duas unidades é em média de quatro horas. Não é muito? "Depende. Quem tem urgência é atendido rapidamente, a espera é para os casos menos graves. Por isso orientamos que as pessoas procurem primeiro as unidades básicas", respondeu. Ele negou que pudesse haver apenas um médico no PAM, conforme relatou a atendente, dizendo que a unidade possui quatro clínicos gerais por turno. Em relação a melhorias na rede pública, El Kadri lembrou que até o fim do ano será inaugurada a UPA do Jardim do Sol (zona oeste), desafogando o sistema, disse que que há um deficit comprovado de R$ 1,5 milhão de investimentos do Ministério da Saúde na cidade. "Temos sinalização no Ministério da Saúde de que teremos recomposição parcial até o fim de agosto e já foi solicitada uma audiência com o ministro em setembro para tentarmos a recomposição integral", informou.(D.P.)





