Quatro em cada dez bingos no País estão em situação ilegal e não podem mais funcionar. Dos 958 estabelecimentos cadastrados pela Caixa Econômica Federal, 394 (41%) deixaram de solicitar autorização de funcionamento dentro do prazo, que terminou anteontem. A relação das casas de jogo irregulares foi enviada ontem à Polícia Federal (PF), ao Ministério Público e à Receita Federal para que todas sejam fechadas e seus donos processados por contravenção penal.
‘‘Esses bingos não podem mais permanecer de portas abertas’’, disse ontem o superintendente nacional de Loterias e Jogos da Caixa, Fábio Alvim. Mas, segundo ele, os proprietários podem procurar a Caixa para regularizar a situação. A relação de bingos irregulares será atualizada e enviada diariamente à PF, à Receita e ao Ministério Público. Os donos dos estabelecimentos ilegais estão sujeitos à pena de prisão de 6 meses a 2 anos.
A Polícia Federal divulgou nota informando que começou ontem operação conjunta com a Caixa para fechar casas irregulares e abrir inquérito policial. A ação vai atingir todo o País, exceto o Rio de Janeiro, onde donos de bingos obtiveram liminar na Justiça que permite o funcionamento sob fiscalização da Loterj e não da Caixa. Alvim anunciou que o governo vai recorrer da liminar.
Dos 958 bingos identificados pela Caixa, 57 deixaram de existir, segundo Alvim. O resultado do cadastramento foi positivo, segundo ele. ‘‘A maioria da categoria quer a regularização da atividade e tem interesse em recuperar a imagem desgastada do setor’’, disse o superintendente.
Alvim prevê que em três meses será possível calcular o valor anual movimentado pelos bingos. Estimativas preliminares indicam R$ 2 bilhões. Do dinheiro arrecadado, 53,5% vão para a premiação, 7% para entidades esportivas, 4,5% para o Ministério do Esporte e Turismo e 7% para a Caixa.
Nos últimos dois meses 24 auditores da Caixa percorreram o País para levantar o número de bingos existentes. A operação foi necessária por causa da falta de informações confiáveis. No cadastro do extinto Instituto Nacional de Desenvolvimento do Esporte (Indesp) havia apenas cerca de 220 casas registradas. Denúncias de corrupção e de interferência dos donos de bingos na elaboração de portarias do Ministério do Esporte e Turismo sobre o assunto levaram ao fechamento do órgão. A atividade passou então a ser gerenciada pela Caixa. (Agência Estado, de Brasília)

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