No Oeste, praças permaneceram bloqueadas
No Oeste, praças
permaneceram
bloqueadas
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Depois de 48 horas de protesto contra o aumento no preço do pedágio, as duas praças da BR-277 localizadas no oeste do Estado também são as únicas entre as 16 do Paraná que permaneceram bloqueadas pelos caminhoneiros. Em Céu Azul (46 km a oeste de Cascavel), cerca de 60 caminhões continuavam parados ontem. As cancelas e as cabines foram fechadas e os funcionários da concessionária Rodovia das Cataratas não puderam trabalhar.
No pedágio localizado a 25 quilômetros de Foz do Iguaçu, entre Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu, mais de 120 caminhões mantiveram os bloqueios iniciados anteontem, liberando somente carros de passeio, ônibus, cargas perecíveis e transporte de animais vivos.
Na tarde ontem, cerca de 80 sem-terra juntaram-se aos caminhoneiros, gritando palavras de ordem e cantando. Apesar de o protesto impedir o trabalho dos funcionários da praça, não houve tumulto. Policiais rodoviários acompanharam de longe a reunião dos manifestantes.
Para o caminhoneiro Cláudio Magnati, 44 anos e 22 de profissão, os custos tornaram as viagens inviáveis. Ele citou como exemplo uma carreta com cinco eixos que sai de Foz em direção ao Porto de Paranaguá, duas vezes por semana (média de quem viaja durante a safra de grãos).
Somente em pedágios, os custos semanais atingiriam hoje R$ 538,00. São R$ 2.150,00 por mês e R$ 25.824,00 em um ano, sem incluir outras despesas e impostos, como o IPVA, por exemplo. É preciso que o valor seja revisto. Seria impossível trabalhar com o custo de R$ 2,60 por eixo, explicou Magnati, lembrando que o valor anterior era de R$ 1,40.
Muitos caminhoneiros preferiram esperar por novas definições nos postos de combustíveis da região. Somente em um posto de Foz do Iguaçu, mais de 100 caminhões permaneciam estacionados ontem.
A assessoria da concessionária Rodovia das Cataratas disse que não há levantamentos prontos sobre os prejuízos sofridos com as paralisações, mas informou que já estavam sendo aplicadas multas em Céu Azul, previstas pelo Interdito Proibitório, medida judicial que assegura o funcionamento do pedágio e prevê cobranças R$ 2 mil e R$ 10 mil por dia para quem participar do protesto. As multas foram entregues por oficiais de Justiça no próprio local. (Emerson Dias)





