No primeiro dia de mobilização efetiva da categoria no norte do Estado, pelo menos 200 caminhoneiros aderiram ao movimento pacífico realizado durante todo o dia de ontem no km 387 da PR-445, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). A concentração se deu em frente ao Posto Portelão, na saída para os estados de São Paulo e Mato Grosso. A movimentação não trouxe prejuízos ao fluxo normal de veículos na rodovia.
Quatro viaturas e 20 homens da 2 Companhia da Polícia Militar Rodoviária acompanharam de perto a movimentação e não foi permitida a obstrução da via em nenhum momento. De acordo com o 2º Tenente Marcos Felipe Vieira Pinto, a instrução era acompanhar a mobilização dos caminhoneiros e evitar transtornos aos demais usuários da rodovia. ''Houve duas quebras de pára-brisas que, possivelmente, podem estar ligadas ao movimento'', destacou o policial.
O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Londrina e região, Carlos Roberto Delarosa, afirmou que o protesto era pacífico e buscava a adesão de mais motoristas às reivindicações. Ele criticou o trabalho da Polícia Militar, dizendo que os policiais estavam impedindo no direito dos caminhoneiros protestarem por melhores condições de trabalho.
Delarosa adiantou que a paralisação irá prosseguir nos próximos dias. ''O movimento deve continuar, se não houver interferência da polícia. Sabemos que o Governo do Estado está pressionando e colocou um efetivo de mais de 600 policiais de sobreaviso em todo o Estado'', afirmou o sindicalista. Ele calcuclou em 80% a adesão da categoria em todo o Estado.
Um caminhoneiro que trabalha para uma empresa de transportes em Foz do Iguaçu, que preferiu não se identificar, revelou que num frete daquela cidade a São Paulo um trajeto de cerca de 1100 km o caminhoneiro consegue faturar pouco mais de R$ 200,00 usando uma carreta de quatro eixos. De acordo com ele, apenas nas praças de pedágio o motorista gasta R$ 182,00. De óleo diesel são mais aproximadamente R$ 600,00. Já o valor pago pelo frete não passa de R$ 1.100,00. ''A gente ainda não pode contabilizar o desgaste com o caminhão. Na caneta, não sobra nem R$ 200,00 para uma viagem de oito dias'', finalizou.

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