No Noroeste, comitivas tiram gado do aguaceiro
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terça-feira, 21 de julho de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Uma cena que só era vista na região do Pantanal agora acontece em um município do Paraná cada vez mais com frequência. Em Querência do Norte (Noroeste), os assentados da região, capitaneados pela Defesa Civil, estão formando comitivas de gado para fugir dos alagamentos decorrentes da chuva pelo terceiro ano consecutivo. O município é um dos 28 do Estado onde a Defesa Civil decretou situação de emergência por causa das chuvas.
Até agora mais de 4 mil cabeças de gado já foram removidas para pastagens mais altas, mas pelo menos mil delas ainda estão em áreas sujeitas a inundações. Até então as comitivas formadas com o objetivo de fugir das áreas mais baixas para as mais altas em tempos de chuva eram mais comuns nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O condutor da boiada é o Cabo Hamilton Gutierrez Figueira, bombeiro e gestor do Corpo de Bombeiros Comunitário de Querência do Norte. "Para fugir da cheia por aqui não tem aquela comitiva com berrantes como é comum no Pantanal. A coisa é bem mais simples. Como as estradas estão fechadas por causa da cheia, não circulam carros por aqui, então tiramos o gado da pastagem das áreas baixas e conduzimos pelas estradas. A gente vai tocando montado no cavalo com a ajuda dos peões. Nem precisamos movimentar muito o gado", destacou.
Em 2013, quando as enchentes atingiram Querência do Norte com intensidade pela primeira vez, Gutierrez relatou que foi necessário realizar a remoção do gado até mesmo de barco. "Na época os produtores da região perderam cerca de 3 mil cabeças de gado. Nunca tínhamos visto uma enchente como aquela antes, então ela nos pegou desprevenidos", relembrou. Esses números ainda assombram os produtores da região.
Desde então a Defesa Civil começou a fazer marcações do nível dos rios em dez pontos para a realização do monitoramento da cheia do Rio Ivaí, o que ajudou a reduzir os danos recentemente. "Também realizamos reuniões de três em três dias com os ribeirinhos para saber o que está acontecendo na propriedade deles", relatou. Com isso é possível se antecipar e fazer a transferência do gado antes que o nível das águas atinjam um nível crítico. "Já virou uma rotina. Quando se fala em enchente, o pessoal da cidade vem ajudar para fazer a retirada do gado e colocá-lo em pastos de terceiros", destacou.
Gutierrez disse que um dos problemas é o fornecimento da alimentação dos animais, já que boa parte da pastagem ficou comprometida pelas águas. "Ainda não chegou ao ponto de animais estarem morrendo de fome, mas é uma situação preocupante", alertou. O bombeiro informou que a prefeitura forneceu uma área onde há plantio de napier, uma espécie de capim, para que seja feita a alimentação do gado. "O problema será quando o nível dessa água baixar. A pastagem irá apodrecer e irá comprometer a produção da região. Aqui tem muito gado leiteiro", apontou.
O prefeito de Querência do Norte, Carlos Benvenutti, solicitou ontem que o Governo do Estado envie alguma aeronave para sobrevoar a região a fim de avaliar os danos causados pelas chuvas. "Com essa enchente estamos prevendo perda de arrecadação, já que os produtores de leite e de mandioca sofrerão prejuízos enormes com essa cheia", declarou. Ele destacou que sempre viveu em Querência do Norte e nunca tinha visto alagamentos desse nível na região.


