Os policiais civis de Mato Grosso do Sul devem entrar em greve por tempo indeterminado a partir das 8 horas de amanhã. A decisão, tomada em assembléia com cerca de 600 policiais no sábado, foi comunicada ontem, em Campo Grande, ao governo do Estado. Os policiais reivindicam o cumprimento de uma decisão judicial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de junho do ano passado, que reconheceu o direito do piso da categoria não ser inferior a um salário mínimo. O piso hoje é de R$ 39. Com o aumento do piso, o salário bruto de um agente de terceira classe sairia de R$ 277 para cerca de R$ 700. O governo foi notificado duas vezes, em junho de 97 e no último dia 17, da decisão tomada por unanimidade pela 5ª Turma do STJ, que acatou relatório do ministro Félix Fischer. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Mato Grosso do Sul (Sinpol), Volindomar Paimel, 35, disse que a adesão dos 1.280 policiais à greve deverá ser total e promete várias manifestações em Campo Grande e interior do Estado. O procurador jurídico da Federação Interestadual de Policiais Civis (Feipol), Maurício Godoy, 48, disse que ‘‘o que mais indignou a categoria foi o pagamento feito pelo governo de R$ 75 milhões à empreiteira Andrade Gutierrez, no penúltimo dia do ano passado. O dinheiro foi para quitar o maior precatório da história do Estado, que representou cerca de 45 dias de arrecadação de impostos, por ordem judicial.
O coordenador-geral de comunicação do governo, Guilherme Filho, 40,
afirmou que o governo não está descumprindo a ordem judicial do STJ, já que recorreu ao Supremo Tribunal Federal com agravo de instrumento. Na avaliação da Procuradoria Geral do Estado, o agravo teria o efeito de suspender a decisão tomada pelo STJ até que o recurso fosse julgado.

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