Campo Grande
A cada três dias, dois policiais militares deixam a corporação no Mato Grosso do Sul. ‘‘A PM está esvaziando’’, disse o comandante-geral, Francisco Libório Silveira, 46, que amanhã deve entregar à Secretaria de Estado da Segurança Pública um raio X da PM. Segundo ele, os objetivos são ‘‘pedir melhorias’’ e evitar uma repetição dos protestos ocorridos em Minas Gerais.
Em reunião convocada pelo comandante ontem com todos os oficiais da capital para discutir o assunto, Libório disse que ‘‘a PM, como a entendíamos até essa semana, acabou’’, referindo-se à decisão dos cabos e soldados buscarem aumento salarial ‘‘na base da pressão’’. O coronel orientou os oficiais a ‘‘ouvirem mais a tropa’’ e adotarem o que chama de ‘‘regulamento humanizado’’ na hora de aplicar punições.
Amanhã, o comandante passará a mesma recomendação aos comandantes de batalhões, em nova reunião no Comando-Geral. Um soldado em início de carreira recebe R$ 270 mensais, incluindo R$ 72 como auxílio-alimentação.
Baixos salários, jornadas excessivas e más condições de trabalho são os principais motivos da evasão dos policiais, segundo as conclusões do comandante-geral e do presidente da Associação dos Cabos e Soldados, José Florêncio de Melo Irmão, 35.
Entre janeiro de 95 e fevereiro de 97, 420 homens deixaram a PM. Somente nas últimas duas semanas, 67 aderiram ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV), criado pelo governo estadual para enxugar o quadro de pessoal.

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