Os sem-terra ligados à Federação dos Trabalhadores na agricultura de Mato Grosso do Sul (FETAGRI-MS), assistidos por 64 sindicatos instalados no Estado, ainda ocupam as fazendas Palmeiras, no município de Nioaque, Campanari e Recreio, em São Gabriel do Oeste, de Triângulo, em Rio Brilhante, as três perfazendo um total de quase 40 mil hectares, de onde os trabalhadores rurais não sairão mesmo com a decisão adotada pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, de impedir o Incra de vistoriar áreas invadidas, conforme informaram ontem os coordenadores dos grupos que ocupam as fazendas.
O presidente da FETAGRI-MS, Geraldo Teixeira de Almeida, que centraliza as reivindições dos sem-terra, disse que essa disposição das famílias é justificada pelo fato de que elas não têm mais onde morar e não estão dispostas a formar novos acampamentos no Estado, onde existem mais de cinco mil grupos familiares vivendo em acampamentos montados em 16 municípios.
A direção do MST em Mato Grosso reagiu com indiferença às medidas anunciadas pelo governo federal na tentativa de inibir invasões de terras promovidas pelo movimento.
Tranquilos, os sem-terra ressaltavam que a medida não é suficiente para frear os rumos do MST em Mato Grosso. Para o MST, o governo jogaria melhor arrecadando terras de devedores da União, do Banco do Brasil e atacando os latifundios, o que daria para assentar 500 mil famílias no prazo de apenas um ano.
Os sem-terra mantêm dois acampamentos em Mato Grosso: na Fazenda Jupia, em São José do Povo, região sul do Estado, 1.500 famílias estão acampadas e aguardam a desapropriação de 3.900 ha; em Cáceres, região leste, a Fazenda Facão, que não foi vistoriada pelo Incra, também permanece invadida por 1.500 famílias. O MST atua no Estado desde 14 de agosto de 95, quando liderou a primeira invasão na Fazenda Aliança, em Pedra Preta. Até hoje o movimentou conseguiu a adesão de 4.500 famílias, das quais 2.150 já foram assentadas pelo governo federal. A criação de comissões estaduais para acelerar a reforma agrária, prevista na MP, já vem sendo adotada pelo governo de Mato Grosso, desde agosto de 95.

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