No jogo de Guga, a vitória da estratégia
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
Roma, 16 (AE) - A vitória de Gustavo Kuerten sobre Patrick Rafter por 3 sets a 0, na final do Super 9 de Roma, começou a ser desenhada no vestiário. O brasileiro sabia que teria de tomar a iniciativa de jogo, atacar e não deixar o adversário mandar na partida. Por isso, Guga decidiu abandonar as longas trocas de bolas, normais em partidas de quadras de saibro, e adotou um estilo mais parecido com um jogo em superfícies rápidas.
Com esta estratégia, Gustavo Kuerten surpreendeu o adversário e logo no primeiro game já quebrou o serviço do adversário. O segredo foi investir em devoluções de saques mais arrojadas. Fugiu do estilo comum do saibro, com bolas longas, buscando a linha de base, para escolher as respostas mais curtas, especialmente cruzadas, para forçar mesmo o avanço de Rafter para a rede e conseguir passadas excelentes.
Rafter queria fazer o mesmo que mostrou diante do Felix Mantilla nas semifinais. Sacava e subia à rede para definir os pontos em seus excelentes voleios. Mas foi surpreendido com devoluções incríveis de Guga, que não permitiam ao australiano dominar o ponto, fazer o golpe de aproximação e chegar à rede com completo domínio.
"Intimidei o Rafter desde o início", confessou Kuerten depois da partida. "Não deixei que assumisse o comando da partida." Além disso, Gustavo Kuerten mostrou um índice de aproveitamento de primeiro serviço fora do comum: 70%. O segredo
desta vez, foi não arriscar tanto o primeiro saque e investir numa boa colocação, pois sabia que se tivesse de jogar com seu segundo serviço, Rafter iria subir e deixaria o brasileiro em situação bem difícil.
A vitória de Guga veio a ser completada por uma versatilidade jamais vista em seu jogo. Afinal, ora batia do jeito que mais gosta, de fundo de quadra, ora arriscava bolas de aproximação para subir à rede e ganhou até muitos pontos nos toques junto à rede, que pela empunhadura da raquete, seriam momentos mais favoráveis à Rafter.
No tiebreaker, Gustavo Kuerten também não deixou escapar oportunidades e no segundo match-point definiu sua vitória, que pode ser considerada a mais importante, depois de Roland Garros, em 1997.


