No gingado da capoeira
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segunda-feira, 02 de novembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local
O som do berimbau embalou neste final de semana as apresentações do "2º Encontro Eu Sou Capoeira 24 Horas", realizado em Londrina. A iniciativa foi organizada pelo Centro de Capoeira Angola Bantu e reuniu cerca de 100 pessoas entre sábado e domingo, na Vila Cultural Flapt, no Jardim Aquiles Stenghel, zona norte da cidade.
Entre os participantes havia alunos, mestres da capoeira e moradores do bairro. Segundo o organizador do evento, o contramestre de capoeira Altair Pereira, o Angolinha, a ideia foi promover um intercâmbio cultural entre diferentes capoeiristas. "O objetivo é a troca de saberes. Tivemos a presença de mestres de várias regiões do País, como São Paulo, Bahia e Goiás", comentou. Além das apresentações, o evento contou com rodas de percussão, maculelê, dança afro e palestras.
Ontem, uma roda de samba encerrou a programação de atividades, iniciada no sábado. "A aceitação do evento pela comunidade foi muito boa. Apesar da capoeira ter perdido adeptos por conta da chegada de outras lutas, a geração mais nova está demonstrando interesse pela prática", assinalou Angolinha. Para ele, jogar capoeira envolve bem mais do que o aspecto físico. "É saúde, é troca de saberes sobre ancestralidade e espiritualidade."
Consultora da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a antropóloga Geslline Braga observou que a capoeira se tornou em 2008 Patrimônio Cultural Brasileiro, pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPhan) e, no ano passado, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, por meio da Unesco. Trata-se de uma dança e, ao mesmo tempo, luta considerada uma das maiores manifestações culturais do País. "A capoeira é muito diversa, adere a outros elementos, como samba e maculelê. Hoje, é trabalhada como capoeira inclusiva também, com pessoas com deficiência", pontuou.
O mestre de capoeira Evangelista José do Nascimento, de 60 anos, saiu de Colorado para acompanhar o encontro. "Foi ótimo", avaliou. No esporte há 47 anos, ele considerou o evento uma oportunidade para encontrar adeptos da prática e ajudar a divulgar a capoeira.
Moradora da zona norte, Cleonice Ribeiro dos Santos, de 50 anos, por sua vez, foi ao encontro para assistir às apresentações. Ela disse gostar tanto da capoeira que colocou a neta, Monique, de 5 anos, para aprender a dançar. "Isso está ajudando muito na disciplina e organização dela no dia a dia", observou.
O "2º Encontro Eu Sou Capoeira 24 Horas" teve apoio da Vila Cultural Flapt e da Associação de Moradores do Aquiles Stenguel. A Vila Cultural conta com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Próximo evento de capoeira a ser realizado em Londrina, o Grupo de Estudos da Capoeira Angola João Pequeno acontece de 13 a 15 de novembro. Inscrições e maiores informações podem ser obtidas através do telefones (43) 9997-4631 e 9140-7326 ou pelo e-mail [email protected].