No final o que tudo isso me deu?
Londrina - Os olhos cansados de Romildo Rodrigues Martins denunciam o tempo que esse homem de 62 anos está atrás das grades. Mais de um terço de sua vida, 21 anos, ele já viveu como presidiário. Hoje Martins é um dos detentos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) II, na Zona Sul da cidade.
De 1969 até hoje, a vida de Martins, mais conhecido como Midão, se alterna entre períodos na prisão e em liberdade. Engana-se quem pensa que ele é um assassino em série, traficante ou estuprador. As duas décadas de prisão são consequência de furtos que ele cometeu. ''Foram muitos'', conta.
Na adolescência, Midão trabalhava e estudava. Só que as más influências o desviaram do caminho seguido pelos irmãos. ''Tinha acabado de completar 18 anos e um dos meus hobbies era pescar no Igapó. Tinha até um bote. Uns colegas que haviam furtado fios de cobre pediram que eu atravessasse a mercadoria para eles''. Foi naquele episódio, em 1968, que as idas e vindas de Midão a prisões começaram.
A primeira pena, de dois anos e dez meses, foi nos anos 70. Em pouco tempo o presidiário estava furtando carros para vender no Paraguai. No final da década de 80, já era um criminoso conhecido pela polícia. E havia passado 12 anos em prisões do Paraná e do interior paulista.
''Onde chegava eu abria comércio, tive garagem de carros e depósito de construção'', lembra. Mas os furtos continuavam. ''Tinha uma boa casa, carro do ano, moto, mas no final o que tudo isso me deu?'', lamenta. Preso pela última vez, em 2003, Martins morava em Uberlândia (MG), de onde foi transferido para a PEL II. A esperança dele e da família está no novo advogado, que espera conseguir a liberdade para o cliente ainda este ano.(D.B.)





