No Espírito Santo, tribos não aceitam proposta da Aracruz
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terça-feira, 17 de março de 1998
Agência Estado 
Wilson Pedrosa/Agência Estado
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Fora!Xavantes puxam o diretor-assistencial da Fundação Nacional do Índio, Otacílio Antunes, para fora de sua salaOs índios tupiniquins e guaranis que invadiram a floresta de eucaliptos da Aracruz Celulose, em Aracruz, no norte do Espírito Santo, recusaram a proposta feita pela empresa para que eles saíssem da área. A proposta, de aumento de 2,5 mil hectares da reserva indígena no município, mais R$ 3 milhões de ajuda aos índios nos próximos dez anos, só foi aceita por uma reserva, segundo o gerente florestal da Aracruz, Carlos Alberto Roxo.
A rejeição, decidida na noite de anteontem, não impediu que o presidente da Fundação Nacional do Índio, Sulivam de Oliveira, tentasse conseguir uma saída negociada com os índios da região. Ele reuniu-se ontem por três horas e meia, com o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Renato Halfen, mas não pediu o cumprimento da liminar da Justiça Federal que determina a saída das tribos da Aracruz Celulose.
Oliveira é acusado pelos índios, no entanto, de dificultar as negociações, por não querer que elas tenham a participação das entidades que apóiam a ocupação da área da empresa, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Ele condiciona o tempo inteiro a suspensão da auto-demarcação para começar as negociações, reclamou Tânia Silveira, do Fórum Cidade e Campo, uma das entidades criticadas pelo presidente da Funai.
Os índios invadiram as terras da Aracruz há uma semana, para realizarem o que chamam de auto-demarcação da expansão de sua reserva, de 4,4 mil hectares. Em 1994, a Funai começou a estudar a proposta de estender a reserva em 13 mil hectares. Apesar de os estudos aprovarem o pedido, o ministro da Justiça, Íris Rezende, concedeu apenas mais 2,5 mil hectares, com base no resultado de outro levantamento, feito em 1979.


