Santiago, Chile, (AE-AP) - Simpatizantes do ex-general Augusto Pinochet protestaram contra a decisão do tribunal inglês que autoriza a extradição do ex-ditator para ser julgado na Espanha, acusado de tortura.
Mas os parentes daqueles que desapareceram ou foram mortos durante o período de ditadura no Chile, de 1973 a 1990, deram gritos de alegria.
Os chilenos ainda têm opiniões bastante divergentes sobre o general de 83 anos, acusado na Espanha de comandar uma campanha de terror contra opositores durante seu governo militar. Pinochet foi preso no dia 16 de outubro em Londres, quando se recuperava de uma operação de hérnia.
Um relatório do governo chileno reconheceu que 3.197 pessoas morreram ou desapareceram depois que Pinochet derrubou o presidente marxista eleito Salvador Allende num sangrento golpe em 1973.
Os partidários do ex-ditador alegam que a decisão da corte londrina de extraditar Pinochet para um julgamento na Espanha foi resultado de pressões internacionais. Carregando fotos de Pinochet e queimando as bandeiras inglesa e espanhola, eles conclamaram o país a pressionar pela libertação imediata do general por motivos de saúde.
"Este é o pior cenário que poderíamos esperar", disse Luis Cortes, um general aposentado e diretor executivo da Fundação Pinochet. "Não se verá meu general de joelhos", acrescentou. Segundo Cortes, Pinochet assistiu à cobertura do anúncio da decisão. "Ele viu tudo pela televisão, com muita força e calma. Mas agora está com seu médico e enfermeira".
Enquanto isso, o congressista conservador Alberto Cardemil disse ao canal de televisão 13 que fora informado que o governo chileno havia decidido pedir formalmente a libertação do general. "Neste exato momento, uma carta está sendo excrita pela embaixada chilena em Londres pedindo formalmente ao governo inglês que liberte o general Pinochet por motivos médicos".
Neste processo, Pinochet é acusado de um caso de conspiração de tortura e 34 casos de tortura contra chilenos, todos eles ocorridos durante os últimos dois anos do governo Pinochet. Embora não haja vítimas espanholas envolvidas, a corte determinou que a Espanha tem jurisdição para julgá-lo.
Jorge Prado, outro diretor da Fundação e ex-ministro de Pinochet, criticou o magistrado inglês, afirmando que a decisão era resultado de "fortes pressões políticas da Europa e do mundo num juiz em fim de carreira". Prado argumentou que Pinochet não tem condições físicas para ser mandado à Espanha, e ressaltou os relatórios médicos que constatam os dois derrames que o general sofreu no mês passado. Prado também acredita que o governo chileno deve insistir na libertação do general por motivos de saúde.
Mas em outros cantos, houve comemoração. Muitas opositores do general esperavam de maõs dadas a decisão e pularam de alegria quando o anúncio saiu logo depois das 6 horas da manhã no Chile.
"Estamos muito satisfeitos e acreditamos que o caminho para a justiça está finalmente sendo aberto", disse Patricia Silva, membro do grupo cujos parentes desapareceram sob o governo Pinochet.
A capital, Santiago, estava calma e nenhum incidente violento foi reportado hoje. Na Espanha, grupos de direitos humanos aclamaram a decisão. "Justiça independente triunfou", comemorava Carlos Slepoy, um advogado envolvido com o caso, enquanto 100 opositores do general celebravam em Madri.
Slepoy e outros advogados advertiram que ainda faltam muitas contendas legais a serem resolvidas e que a decisão final de extraditar Pinochet ou não é política e deve ser feita pelo governo trabalhista britânico.
Se Pinochet perder o apelo à Corte Suprema, seu caso volta para uma decisão final do secretário do Interior Jack Straw - que inicialmente determinou que o caso de extradição poderia seguir para as cortes. A batalha legal pode durar meses, com Pinochet permanecendo sob prisão domiciliar na mansão alugada no sudoeste de Londres.

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