No Califórnia, ano novo começa com incertezas e insegurança
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sábado, 05 de janeiro de 2013
Lúcio Flávio Moura <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O novo ano começou cheio de incertezas para as seis famílias do Jardim Califórnia (zona leste de Londrina) que aguardam a segunda fase de desapropriações para a obra de ampliação do Aeroporto José Richa, em Londrina. Ainda sem saber quando será feito o depósito em conta bancária pelo ressarcimento do imóvel, as famílias não podem planejar a vida em 2013.
A reportagem da FOLHA visitou o local e constatou que, além da indefinição de quando os moradores terão que deixar o imóvel, a região está tomada pela insegurança, provocada pelo entulho que tomou conta do terreno onde outros 44 imóveis foram demolidos na primeira fase de desapropriações.
Os moradores reclamam que estão procurando imóveis para comprar e alugar mas que são obrigados a desistirem do negócio por não saber quando poderão contar com o dinheiro. Segundo eles, as desapropriações esquentaram o mercado imobiliário na região e provocaram acréscimo considerável no valor dos imóveis, tanto para locação quanto para a venda. ''Casas que antes podiam ser alugadas por R$ 600 são locadas hoje por R$ 1.000'', conta o produtor rural Ovídio Raboni, que vivia numa casa alugada na Rua Jaime Americano.
Raboni se deparou com outra consequência negativa da morosidade da obra pública na quarta-feira. Ele está trabalhando de pedreiro, na mesma rua, em uma casa cujo irmão é dono e decidiu reformar. Na noite de quarta-feira, arrombadores levaram a fiação que seria instalada na residência.
''A gente soube de pelo menos outros dois casos de arrombamento no bairro só nesta semana'', conta a dona de casa Roseli Nicolino da Silva. ''Todos que vivem aqui estão com medo porque as casas desocupadas que ainda não foram demolidas e este entulho todo espalhado viraram esconderijo de marginais à noite'', diz. Raboni concorda: ''É um chamariz de quem não tem o que fazer''.
A reportagem flagrou ''garimpeiros'' no terreno, que buscavam vergalhões para vender no ferro-velho. No terreno também há outros perigos, como pregos virados para cima e focos potenciais do mosquito da dengue.
A advogada Camila Munhoz afirma que a demora da obra também está defasando o valor das desapropriações, anunciado em julho e na época considerado justo pelos moradores. Ela também afirmou que a família já teve que abrir mão de ''bons negócios'' por causa do entrave burocrático. ''Já estamos pensando em organizar um protesto se a situação se arrastar por muito tempo''.
Destacado como gestor do convênio para a desapropriação, o funcionário da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Rubens Bento, disse à FOLHA que a prefeitura busca dirimir cerca de 10 pendências burocráticas para obter a certidão liberatória do Tribunal de Contas do Estado e, enfim, depositar o dinheiro.
Ele disse também que a operação de retirada do entulho acumulado ainda não foi feita por problemas no maquinário pesado da prefeitura. Ele preferiu não estipular prazo tanto para obter a certidão do TCE quando para fazer a remoção do entulho.
O secretário municipal de Defesa Social, Raul Leão Vidal, disse que vai intensificar a patrulha da Guarda Municipal na Rua Jaime Americano. O porta-voz da Polícia Militar, o capitão Nelson Villa, também prometeu que a vigilância será ampliada na região.


