Curitiba - A falta de coleta e tratamento de esgoto é o principal problema de saneamento, hoje, no Brasil. É o que revela a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico-2000 (PNSB), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Pouco mais da metade (52,2%) dos municípios tem serviço de coleta de esgoto. Mas o maior problema é que apenas 33,5% dos domicílios são atendidos pela rede geral de esgoto. Isso representa um aumento de apenas 10% em relação à pesquisa de 1989, quando 47,3% das cidades tinham algum tipo de esgotamento sanitário.
Nesse ponto, a Região Sul mostrou pior desempenho do que o Nordeste. Entre os 47,8% dos municípios brasileiros que não têm coleta de esgoto, o Norte é a região mais preocupante, com 92,9% das cidades sem coleta, seguida pelo Centro-Oeste (82,1%). Em terceiro lugar aparece o Sul, onde 61,1% dos municípios não têm coleta, perdendo para o Nordeste (57,1%). A única região com bons indicativos é o Sudeste, onde apenas 7,1% das cidades não têm esgoto sanitário. Nesses casos, os principais receptores do esgoto in natura não coletado são os rios e mares, comprometendo a qualidade da água utilizada para abastecimento, irrigação e tratamento.
De modo geral, a pesquisa apresentou pequenas melhorias em relação ao estudo de 89. Dos 5.507 municípios atuais, 97,9% têm serviço de abastecimento de água, 78,6% têm serviço de drenagem urbana e 99,4% têm coleta de lixo. Apesar da maioria ser abastecida por água, 116 municípios (2% do total), a maioria deles no Norte e Nordeste, não têm abastecimento de água. No que se refere aos domicílios, a situação é mais preocupante. A cobertura brasileira é de 63,9%, caracterizada por um grande desequilíbrio regional. No Sudeste, 70,5% das casas são atendidas, enquanto nas regiões Norte e Nordeste o serviço alcança, respectivamente, 44,3% e 52,9% dos domicílios.
Entre 89 e 2000, o volume total de água distribuída por dia no Brasil cresceu 57,9%. Os governos, entretanto, não conseguiram aumentar o índice de tratamento. Em 89, 3,9% da água não eram tratadas. Em 2000 a proporção praticamente dobrou, passando para 7,2% do volume total.

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