Dados do Censo da Educação Superior 2002, divulgados ontem em Brasília, apontam que nos últimos cinco anos foram criados quatro novos cursos por dia.
Em 1998, eram 6.950 cursos de graduação dos quais 57,3% estavam em instituições privadas. No início da década, em 1991, esse percentual ficava em 56,4%. Entre os que registraram maior aumento de matrículas estão administração e direito.
As matrículas também crescem no mesmo ritmo e mantendo proporção semelhante entre pública e privada. Do total de 3,479 milhões de matrículas no ano passado, 69,7% foram em particulares.
O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Luiz Araújo, considera o crescimento do ensino superior ''desordenado''. ''O censo mostra que houve uma opção do governo anterior de congelar as vagas públicas e expandir a rede privada, em um processo de privatização'', afirmou Araújo.
A percentagem de vagas ociosas nas universidades privadas, segundo dados do censo, bateu um novo recorde e alcançou 36% -a média nos anos 80 e 90 foi de 20%, subindo para 30% em 2000 e para 31% em 2001.
O mercado de educação ainda enfrenta a alta da inadimplência, que neste ano chegou a 33% na rede privada nacional. Em São Paulo, a percentagem de não-pagantes é de 25%, mais do que o dobro da média histórica de 12%.
Para o futuro, quatro países -os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia-querem quebrar as normas existentes de educação para conseguir vender serviços de ensino para outros países.
O censo mostrou ainda que, tanto o setor público como o privado, registram um índice positivo: o aumento de docentes com doutorado. Os doutores passaram de 31.073 em 1998 para 49.287 no ano passado.

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