No Brasil e na América Latina
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sexta-feira, 08 de março de 2002
Das agências 
O Dia Internacional da Mulher foi festejado ontem em várias cidades do Brasil, país com 170 milhões de habitantes e onde, segundo as estatísticas oficiais, a mulher chefia praticamente 1/4 dos lares.
No Rio de Janeiro, a Federação das Indústrias organizou um seminário para discutir a crescente presença de mulheres no mercado de trabalho, e falar sobre a violência doméstica.
Em São Paulo foi organizada marcha comemorativa no centro da cidade. Em Brasília, o presidente Fernando Henrique Cardoso marcou um almoço com artistas e dirigentes mulheres do governo federal para marcar o 8 de março.
Na América Latina, marchas, seminários e comemorações marcaram o Dia Internacional da Mulher. Além das numerosas reclamações a favor da igualdade de oportunidades, o dia teve um acento político em países como Venezuela e Colômbia.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, no clima tenso por diárias manifestações simultâneas de repúdio e adesão ao seu governo, provocou ontem uma dupla mobilização no centro de Caracas de dois grupos de mulheres dispostas a ganhar as ruas a favor e contra sua gestão. Música e tambores alegravam as chavistas, enquanto sonoros instrumentos de sopro entoavam o vai embora para Chávez.
Por sua vez, organizações de mulheres na Colômbia convocaram uma grande mobilização feminina para que no próximo 16 de maio se concentre e marche pelas principais ruas de Bogotá em protesto contra a guerra.
No Equador se realizaram algumas concentrações, marchas e conclaves para formular reclamações, além de expressar o anseio das mulheres de que a vizinha Colômbia encontre a paz sem intervenções nem tutelagens estranhas à sua própria autonomia de nação.
No México se destacou o assassinato de centenas de jovens no norte do país e a violência doméstica contra as mulheres. Em Ciudad Juárez, fronteiriça com Estados Unidos, grupos feministas convocaram uma marcha para exigir uma solução urgente ao assassinato de 260 mulheres nos últimos oito anos, a maioria delas trabalhadoras em montadoras. No empobrecido Estado de Chiapas, mulheres indígenas programaram marchar para denunciar a dupla marginalização de que são objeto, por serem índias e mulheres.
Na Argentina, a festa foi no Teatro Colón, onde se realizou um desfile de trajes de ópera com 40 bailarinas e reconhecidas modelos.
No Uruguai, houve uma concentração de mulheres no Palácio Legislativo, com posterior marcha pelas ruas centrais de Montevidéu.
No Peru, o conselho de ministros aprovou o chamado compromisso do governo peruano, que ratifica sua vontade de obter a igualdade de oportunidades.
A festividade cubana teve como protagonistas várias mulheres condecoradas pelo governo, que decidiu homenagear mães e esposas dos cinco cubanos condenados nos Estados Unidos por espionagem e considerados em Cuba heróis prisioneiros do império.


