No apartamento, havia drogas e
laboratório para falsificar CD
O delegado Olavo Francisco informou ontem, em entrevista coletiva, que foi encontrada uma ‘‘grande quantidade de cocaína e crack’’ na casa do estudante de Medicina Mateus da Costa Meira. No lixo do apartamento também foram localizados três bilhetes escritos à mão por Meira. Dois deles tinham a mesma mensagem: ‘‘Mídia-sociedade hipócrita’’ e o outro dizia ‘‘Isso é efeito da droga, eu não sou assim’’. O rapaz foi submetido ao exame toxicológico e residuográfico. ‘‘O prazo para divulgação dos resultados vai depender da superintendência da Polícia Científica’’, disse o delegado.
Meira mantinha em seu apartamento um laboratório de falsificação de CDs. Os recursos obtidos com a venda de CDs-pirata podem ter ajudado o estudante a pagar R$ 5 mil pela metralhadora, além de uma pistola que ele teria adquirido há alguns dias. Ele teria adquirido as duas armas com o traficante Marcos Paulo Almeida, que deixou a prisão há 30 dias. A polícia encontrou com o traficante R$ 1.000,00 em notas de R$ 100,00, o que leva o delegado a acreditar que tenha sido esse o real valor pago pela arma. Ele nega ter efetuado as vendas.
Segundo ele, o estudante disse em depoimento que há mais de sete anos pensava em praticar este tipo de crime. No depoimento, de quase três horas, acompanhado por um psiquiatra e por um advogado, o estudante contou que escolheu o Shopping Morumbi por acreditar que não correria o risco de ser reconhecido. ‘‘Ele estava calmo, tranquilo, mas apresentava alguns lapsos de memória’’, disse o delegado. Sobre os motivos alegados por Mateus para cometer o crime, o delegado disse que o rapaz repetiu várias vezes que se sentia observado e que ‘‘ouvia vozes’’.
Na casa do estudante, junto com as drogas, foram encontrados também 300 cartuchos de munição. Ele disse ainda ter recebido a submetralhadora Uzi entre 14 e 16 horas de anteontem, poucas horas antes de descarregá-la em direção à platéia da sala 5 do cinema do Shopping Morumbi.
Meira chegou ao shopping às 19 horas, de táxi, circulou por mais de duas horas no centro de compras e entrou no cinema às 21h15. No meio do filme foi ao banheiro e atirou no espelho, voltando em seguida à sala de projeção, quando acionou duas vezes a submetralhadora.
Segundo o advogado Francisco Edson Soares, que acompanhou os depoimentos de Mateus e de Marcos Paulo, eles apresentaram declarações contraditórias. Mateus disse que conhecia Almeida há dois anos, mas este informou que ambos se conhecem há 8 meses. Segundo o advogado, Almeida disse que é mecânico e trabalha com carros Chrysler.
O advogado também afirmou que Mateus disse estar há 15 dias sem tomar medicamentos, contrariando informações do seu psiquiatra, segundo as quais ele estava medicado. O estudante de Medicina afirmou, entre outras coisas, que era assaltado por visões em que aparecia matando uma pessoa.
O advogado criminalista Eduardo Pizarro Carnelóz, contratado pela família do estudante, disse que vai orientá-lo a não dar entrevistas à imprensa.

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