'No ano que vem tudo vai voltar ao normal'
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Michelle Aligleri<BR> Reportagem Local 
Londrina - Uma vida nova. Assim Nathalia Westphalen, 22 anos, definiu seus projetos. Ela venceu uma leucemia e para isso precisou passar por um transplante de medula. O procedimento foi realizado há cinco meses no Hospital das Clínicas, em Curitiba, e ela voltou a Londrina há apenas uma semana. Para a jovem o que ficou depois de dois anos de luta foi uma lição. ''Aprendi a ser mais paciente e agora dou valor a coisas que antes eu nem percebia.'' O caso de Nathalia mobilizou os amigos, que realizaram uma campanha, e foi tema de reportagens da FOLHA. O resultado foi o cadastro de mais de dez mil pessoas no Registro Mundial de Doadores de Medula Óssea (Redome).
A mãe da jovem, Ofélia Spanholo de Oliveira, lembra do início da doença. ''Descobrimos no dia 11 de abril de 2008, levamos um grande susto porque a minha filha sempre foi muito forte.'' Nathalia fez cinco meses de quimioterapia, mas voltou a apresentar leucemia e em junho de 2009 o tratamento indicado foi o transplante de medula óssea.
Nessa época iniciou-se um novo desafio: encontrar um doador compatível, mas ninguém da família tinha as características necessárias. Pesquisadores estimam que uma em cada cem mil pessoas seja compatível para realizar o transplante, mas este número pode chegar a uma em cada um milhão de pessoas.
Nathalia foi incluída no Redome e em março de 2009 um doador 80% compatível foi encontrado nos Estados Unidos. ''Estávamos com receio porque este doador não era completamente compatível e o transplante poderia não dar certo. Ela já estava fazendo os exames necessários para fazer o procedimento quando encontramos um doador 100% compatível aqui no Brasil, isso nos tirou um peso das costas'', lembra a mãe.
O transplante de Nathália foi realizado em maio deste ano, Ela voltou a Londrina há apenas uma semana, já que estava em Curitiba fazendo exames de acompanhamento.
Os responssável pelo Redome não passam a identidade do doador antes de completar um ano do transplante. ''Quando estas informações forem liberadas, vou buscar saber quem foi a pessoa que ajudou a salvar a minha vida. Se eu conseguir encontrá-lo, quero agradecer muito'', diz Nathália.
Enquanto o transplante não completar um ano ela está em fase de recuperação e precisa usar uma máscara, já que está com a imunidade baixa, e terá de ficar longe do sol e de lugares aglomerados. ''Sei que este ano vai ser difícil, mas no ano que vem tudo vai voltar ao normal, pretendo voltar a praticar kickboxing e retomar as aulas na faculdade de Medicina Veterinária'' afirma Nathalia.
A mãe acredita que a garra demonstrada pela filha durante o tratamento foi uma lição. ''Todos aprendemos muito com tudo isso, principalmente a ver o lado bom das situações, por mais difíceis que elas pareçam. Depois de passar por isso com a minha filha, estou reavaliando tudo na minha vida, a forma de ver e valorizar as coisas que acontecem.''


