Washington, 06 (AE-AP) - A política do presidente Richard Nixon no Vietnã estava cambaleando. Uma grande ofensiva havia acabado de terminar em março de 1971 com desesperados soldados sul-vietnamitas agarrando-se a helicópteros dos EUA numa apressada retirada. Comandantes militares americanos no Sudeste Asiático reclamavam que Washington estava se intrometendo demais em seus planos. E, segundo antigos tapes secretos de Nixon recém-liberados, o comandante de campo das tropas dos EUA estava tomando uns goles um pouco cedo demais durante o dia.
Ainda assim, Nixon e Henry Kissinger, seu assessor de segurança nacional, racionalizavam numa conversa franca no Salão Oval que o maior ataque até então que tropas sul-vietnamitas apoiadas pelos EUA haviam lançado contra forças comunistas não tinha sido um completo fracasso.
"Considero a operação um grande avanlo mesmo com todas as trapalhadas", disse Kissinger durante a conversa de 23 de março de 1971.
"Eu tenho de dizer a você, senhor Presidente, francamente que... nosso pessoal nos jogou para baixo - não o sul-vietnamita. Eles nos deixaram mal nas primeiras três semanas, então eles reclamaram a você que eu estava interferindo demais".
Kissinger fez então duras críticas ao general Creighton Abrams Jr., comandante das forças militares dos EUA no Vietnã de 1968 a 1972.
"Abrams foi todo fim de semana para a Tailândia, pelo amor de Cristo, para ver sua família quando ele tinha todas nossas coisas jogada nisto", disse ele. Kissinger, mais tarde, acrescentou: "Abram está bebendo agora no meio do dia. Eu realmente penso que temos de considerar sua substituição".
A conversa de Nixon com Kissinger está entre as 445 horas de gravação divulgadas na terça-feira pelo Arquivo Nacional, mais do que o dobro do número de horas dos audiotaipes de Nixon anteriormente disponível para a audição pública.
Os taipes, cobrindo eventos de fevereiro a agosto de 1971, incluem conversações sobre a China, o meio ambiente, desemprego e manifestações contra a guerra. As gravações registraram um Nixon preocupado formulando uma estratégia para atacar seu percebidos inimigos depois do vazamento dos Papéis do Pentágono, um estudo classificado do governo sobre o envolvimento dos EUA no Vietnã que foi publicado pelo New York Times.
Em 1º de julho de 1971, Nixon passava um sabão em seu chefe de pessoal, H.R. Haldeman: "Estamos enfrentando um inimigo, uma conspiração", diz Nixon, dando um soco na mesa para enfatizar sua mensagem. "Vamos recorrer a todos os meios, está claro?".
Quando ficou sabendo que o centro de estudos liberal Brookings Institution ainda não havia sido "invadido", como havia ordenado para que fossem confiscados documentos, Nixon levantou a voz e advertiu a Haldeman: "Faça isto! Eu quero isto feito! Quero o cofre do Brookings limpado!

mockup