Brasília, 23 (AE) - Depois de sete meses consecutivos de queda, o nível de emprego entre os trabalhadores com carteira assinada voltou a ser positivo em abril. Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho, o saldo líquido de novos postos de trabalho no mês foi positivo em 0,29%, o que representou, em termos absolutos, na criação de 57.543 postos de trabalho. No ano, no entanto, a variação líquida do nível de emprego formal é negativa, com perda de 138.010 postos de trabalho, sendo também negativo o saldo acumulado nos últimos 12 meses, com perda de 677.248 postos de trabalho.
Os dados do Ministério do Trabalho são feitos a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que as empresas devem preencher, todo mês, quando demitem ou contratam novos trabalhadores para seus quadros. Na análise técnica dos dados, o Ministério do Trabalho destacou que o resultado de abril foi alimentado por fatores sazonais. No mês em foco, segundo os técnicos, só em conjunturas muito desfavoráveis, como a ocorrida em 1992, é que verifica-se queda no emprego formal.
O setor agrícola, segundo os técnicos, foi o que teve o melhor desempenho em abril em termos de emprego, com a geração de 33.273 novos postos de trabalho. O nível de emprego também foi positivo na indústria de transformação, que vinha apresentando queda por dez meses consecutivos. Novos postos de trabalho também foram criados no segmento serviços. O emprego foi negativo no comércio e na construção civil que, nos últimos 12 meses, desativou 145.767 postos de trabalho.
Os técnicos do Ministério do Trabalho explicam a elevada perda de postos de trabalho formais nos últimos 12 meses porque a estatística ainda pega o segundo semestre do ano passado, quando o país sofreu o impacto da crise na Rússia e o governo se viu obrigado, mais uma vez, a manter uma política econômica restritiva. Em consequência, a perda de emprego que vinha se mantendo em níveis suportáveis saltou para 118.412 em novembro, passando para 437.758 em dezembro de 1998.

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