Nível de emprego na indústria paulista é o melhor em 9 meses
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 13 (AE) - O nível de emprego industrial no Estado de São Paulo em abril foi o melhor dos últimos nove meses
voltando ao patamar de agosto de 1998, quando eclodiu da crise russa. Houve uma queda de 0,40% no número de empregos, o que significou a demissão de 6.415 trabalhadores. Esse desempenho, melhor em relação a março embora ainda negativo, deve continuar neste mês de maio, com uma redução mais leve do número de postos de trabalho no Estado. Nos primeiros quatro meses deste ano, o nível de emprego caiu 3,27% e em doze meses houve uma redução de 7,36%.
"Aparentemente, estamos numa recuperação. É possível que em maio haja uma variação menor do nível de emprego", disse a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Clarice Seibel. Ela ponderou, no entanto que durante a segunda semana de abril, a indústria paulista contratou, ao invés de demitir funcionários, revertendo um quadro de dispensas consecutivas dos últimos nove meses. Nos meses de fevereiro e março o nível de atividade industrial apresentou um resultado positivo, o que estaria sendo refletido no nível de emprego em abril.
Segundo Clarice, a recuperação dos empregos industriais seria facilitada com a queda acentuada das taxas de juros nos próximos meses. "Eu vejo espaço para que os juros caiam abaixo de 20% até junho e isso deve ocorrer", afirmou a diretora da Fiesp, explicando que esse seria "o melhor indicador" da reversão das expectativas sobre o Brasil. De acordo com ela juros mais baixos são "oxigênio" para a indústria em geral. Além de favorecer o consumidor, juros menores beneficiam alguns setores, como o de bens de capital, que dependem de financiamento à produção.
O aumento das exportações nos próximos meses seria outro fator para melhorar o nível de emprego em São Paulo. Falando especificamente sobre o setor de veículos, Clarice disse que as exportações seriam a saída para o impasse decorrente do fim do acordo automotivo."As exportações poderiam compensar a redução na demanda interna", ponderou a diretora da Fiesp.
Setor - Dos 47 sindicatos pesquisados pela Fiesp, apenas 15 contrataram no último mês de abril. A sazonalidade e o acordo emergencial do setor automotivo foram as duas explicações para esse desempenho positivo. Por conta do acordo, o setor de fundição (1,91%) e o de componentes para veículos (1,56%) apresentaram desempenho positivo. Fatores sazonais explicam o bom desempenho de cinco outros setores industriais: curtimento de couros e peles (4,72%), calçados de Franca (2,31%) malharia e meias (1,26%), doces e conservas alimentícias (1,49) e azeite e óleos alimentícios (0,80%).
Clarice destacou ainda o desempenho do setor de produtos químicos, que teve uma variação positiva de 0,36%. Embora seja um percentual baixo, é o primeiro sinal positivo após meses de desempenho em queda.


