Rio, 24 (AE) - Pela primeira vez desde junho de 1997, a indústria brasileira contratou mais do que demitiu. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o emprego no setor em julho cresceu 0,1% em relação ao mês anterior. A indústria paulista foi a que mais contratou mão-de-obra, aumentando em 0,6% seu quadro de funcionários, seguida por Minais Gerais com expansão de 0,1% no período.
A região Sul foi a única em que a trajetória de demissões se manteve, com o emprego industrial recuando 0,9%. A gerente do Departamento de Indústria do IBGE, Miriam Ferreira, explicou que o fraco desempenho da região foi influenciado por questões sazonais, como o fim da colheita de fumo, que provocou a demissão de 30,5% dos trabalhadores que desempenhavam esta atividade. "O setor dispensa trabalhadores nesta época e depois contrata quando começar o período de plantio", explicou.
A melhora dos indicadores em julho é apenas pontual, segundo a gerente do IBGE. "O índice de emprego na indústria fechará o ano negativo", previu. "É impossível recuperar a queda acumulada de quase 9% do emprego industrial do primeiro semestre do ano." Miriam destacou que os indicadores ainda são muito negativos se comparados com períodos mais longos. Entre janeiro e julho, o setor acumula uma queda 8,8% no número de vagas no setor e de 9,1% nos últimos 12 meses.
A indústria mineira aparece no topo da lista das que mais demitiram este ano, acumulando uma perda de 12,5% no quadro de funcionários. A paulista vem logo atrás, com retração de 9,7%
seguida pelo Rio de Janeiro, com queda 7,9% no número de postos de trabalho no setor. A técnica do IBGE explicou que essas áreas são fortes na produção de bens de consumo duráveis e de capitais
segmentos muito influenciados pelo aumento dos juros e pela política de restrições ao crédito adotados desde o início do 1999.
Salários - A pesquisa do IBGE mostrou ainda que o total de salários pagos pela indústria em julho sofreu a segunda queda consecutiva, de 0,3% em relação ao mês anterior. As perdas são ainda maiores nas comparações mais longas. O rendimento dos trabalhadores caiu 11,1% no acumulado entre janeiro e julho e de 10,5% frente a julho do ano passado.
A queda foi generalizada no País, mas os destaques ficaram por conta das indústrias mineiras e paulistas. O total de salários pagos pelo setor em Minais Gerais recuou 13,5% e em São Paulo, 12,8% no período. A gerente do IBGE argumentou que o Brasil conseguiu encerrar o ano passado com um aumento de 2% no salário médio real dos trabalhadores. Esse ganho já foi totalmente absorvido em 1999, com o salário sofrendo uma retração de 2,5% até julho.
"Com o aumento do desempenho, os trabalhadores ficaram com menos poder de barganha para lutar por melhores reajustes", disse. "As pessoas estão aceitando salários menores para se manterem empregadas."

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