Nível de emprego em São Paulo mantém estabilidade segundo Dieese
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 25 (AE) - Ficou para o último trimestre a esperança de recuo do desemprego na Grande São Paulo. A Fundação Seade e o Dieese divulgaram hoje o índice de desocupação de setembro, que foi de 19,7% de uma população economicamente ativa de 8,9 milhões de trabalhadores. O resultado foi quase igual ao registrado em agosto, de 19,6% , considerado alto demais para o período.
O número de desempregados em setembro chegou a 1,760 milhão, 13 mil a mais do que no mês anterior. Com esse dado, os economistas dos institutos informaram que a taxa média de desemprego este ano já é de 19,8% - em 1998 foi de 18,3% - e, assim, a média anual baterá o recorde de toda a história da pesquisa, iniciada em 1985, mesmo que a situação melhore nos próximos meses.
Apesar da estagnação do índice de desemprego num nível tão alto, especialmente para o segundo semestre, o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, e o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, mantiveram a projeção de um recuo nos próximos meses.
"O desemprego nos meses de outubro, novembro e dezembro deverá diminuir um pouco", afirmou Mendonça. "Mesmo assim, muito provavelmente teremos taxas maiores do que as do mesmo período do ano passado." A pesquisa de setembro revelou também estabilidade em outros indicadores nada positivos. O tempo médio despendido pelos desempregados na busca por um novo trabalho continuou na marca das 48 semanas, alcançada há três meses. Também o nível de ocupação sofreu variação insignificante, de 0 1%, o que revela a criação de apenas 10 mil empregos no mês.
A indústria voltou a demitir - 20 mil apenas no mês passado. Os ramos de alimentação, metal-mecânico e de química e borracha lideraram o ranking dos que mais fecharam postos de trabalho. Já o comércio começou a reagir e criou 23 mil ocupações, a maior parte sem carteira assinada. O setor de serviços criou apenas 6 mil empregos e outos setores mais mil. O modesto saldo de 10 mil empregos não seria suficiente para atender nem mesmo as 23 mil pessoas que ingressaram no mercado em setembro.
Rendimentos - Os ganhos dos trabalhadores também ficaram estáveis nos 30 dias de análise, num nível bem pior do que o do ano passado. Neste caso, o último dado disponível é o de agosto. O rendimento médio real dos ocupados caiu 0,3% e assim, em relação a agosto do ano passado, acumula redução de 4,7%.


