Nível de emprego cai 1,03% em janeiro; Fiesp prevê piora
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 10 (AE) - O nível de emprego industrial no Estado de São Paulo apresentou uma queda de 1,03% em janeiro, o que significou a perda de 16.944 postos de trabalho. No acumulado de 12 meses, houve uma redução de 7,21% das vagas industriais no Estado, representando uma redução de 122.418 trabalhadores. Desde julho de 1994, a queda do nível de emprego industrial em São Paulo é de 24,26%, com a demissão de 523.765 trabalhadores.
E estes números devem ser maiores nos próximos três meses, segundo o diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de são Paulo (Fiesp), Roberto Faldini.
De acordo com ele se houver uma estabilização da política cambial e consequente normalidade econômica, a desvalorização do real poderá trazer de volta empregos a partir do segundo semestre deste ano. "Mas isso tudo depende tanto do ajuste fiscal interno como da volta do capital externo", afirmou o diretor, dizendo que, sem o cumprimento dessas duas metas, o desemprego continuará aumentando.
Em janeiro o nível de desemprego paulista só não excedeu o índice de 1,03% porque a Fiesp não contabilizou as 2,8 mil demissões anunciadas pela Ford às vésperas do Natal. Segundo ele
como o processo de negociação entre a montadora e o sindicato estava em curso, a pesquisa não computou essas demissões. Se fossem levadas em conta, o desemprego certamente ultrapassaria o de dezembro do ano passado, que foi de 1,12%.
Faldini admitiu que a expectativa da indústria era de um índice maior em janeiro. Dos 37 setores industriais pesquisados pela Fiesp, apenas sete registraram um índice de emprego positivo no último mês de janeiro.
São eles: lâmpadas e aparelhos elétricos de iluminação (2,23%), massas alimentícias e biscoitos (1,78%), materiais e equipamentos ferroviários e rodoviários (0,86%), relojoaria (0 73%), artefatos de ferro, metais e ferramentas em geral (0,58%), bebidas em geral (0,35%) e perfumarias e artigos de toucador (0 17%).
Perspectivas - Sobre o cenário macroeconômico para os próximos meses, o diretor da Fiesp disse que "há mais incertezas do que certezas", o que dificulta qualquer projeção. De acordo com ele, em função da instabilidade do real frente ao dólar, os empresários estão tendo extrema dificuldade na formação de seus preços, tanto na formação dos custos como no preço de venda.
Mais uma vez o representante da Fiesp voltou a criticar as taxas de juros, dizendo que elas estão num patamar altíssimo. Ao lado da escassez de linhas de financiamento, os juros são a segunda preocupação para a obtenção do capital de giro para as empresas num momento de grande incerteza.


