São Paulo, 19 (AE) - O índice de desemprego na Grande São Paulo cresceu mais um pouco em julho e o número de desempregados bateu recorde, chegando a 1,8 milhão pela primeira vez desde 1985, quando começou a ser feita a pesquisa do convênio Seade-Dieese. A População Economicamente Ativa (PEA) no mês chegou a 8,9 milhões de trabalhadores. O índice de desocupação, de 19,9% em junho, subiu para 20,1% em julho. O resultado contrariou as expectativas dos economistas dos dois institutos, que tinham esperança de que a partir deste segundo semestre as coisas melhorassem.
Para o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, o choque tarifário tirou ainda mais renda dos trabalhadores - o decréscimo no mês foi de 1,3% -, assim como a alta da inflação, o que minou uma reação mais forte da economia. Além disso, do ponto de vista interno, as exportações brasileiras não decolaram como o previsto. A análise do cenário externo também é negativa. O economista lembrou da crise na Argentina, que tende a se agravar, e do risco de os Estados Unidos aumentarem suas taxas de juros, em detrimento dos interesses dos países em desenvolvimento.
Diante do quadro de incertezas, ele nem mesmo arriscou uma previsão sobre o resultado da pesquisa em agosto. "Nas últimas semanas, o quadro se deteriorou um pouco mais, com a desvalorização do real", afirmou. "O clima é de muitas incertezas." Para o diretor técnico da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, o índice pode sofrer oscilações tênues, mas não é possível prever se para cima ou para baixo. Ele lembrou que a economia real - indústria, comércio, etc - está fazendo movimentos de recuperação. Mas também não quis fazer prognósticos, em razão da possibilidade de nova deterioração do ambiente econômico.
A economia real, de fato, dá sinais de recuperação. A indústria, por exemplo, criou no mês passado 28 mil ocupações, e o comércio, apesar da falência de grandes grupos, outras 50 mil. Outros setores criaram 8 mil empregos. Contudo, o setor de serviços, fortemente vinculado ao poder de consumo da população, reduziu 88 mil postos em 31 dias. Assim, no total, houve prejuízo de 2 mil empregos, situação agravada pelo aumento do número de pessoas procurando ocupação.
Esse aumento da PEA vem acontecendo há alguns meses. Martoni analisa isso como fruto de uma crise de sobrevivência das famílias. Em 1988, existiam na Região Metropolitana de São Paulo 119 mil chefes de domicílio desempregados. No ano passado, 451 mil. "O número de chefes desempregados cresceu mais de três vezes em 10 anos, e no caso daqueles com mais de 40 anos o aumento foi de quatro vezes", afirmou. Sem o principal rendimento da família, além do chefe, filhos e cônjuges se lançam no mercado.
Este ano, de janeiro a julho, a pesquisa já apurou taxa média de desemprego de 19,9%. Em igual período do ano passado, a média foi de 18,6%. Em 1998, em julho, a ocupação já apresentava alguma reação, coisa que não se repetiu. Os indicadores de renda também são muito desfavoráveis. O salário dos trabalhadores formais, em 12 meses, caiu 6,4%. O rendimento dos autônomos sofreu redução de 14,3% no mesmo período.

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